ELEIÇÕES 2026 COBERTURA DQ

Levantamentos recentes mostram vantagem numérica de Lula no primeiro turno e cenário mais equilibrado no confronto direto com Flávio Bolsonaro. Rejeição, transferência de votos e comparecimento às urnas podem definir o resultado.

Redação DQ Notícias Análise do cenário · Pesquisas divulgadas até 2 de outubro de 2026

A eleição presidencial de 2026 chega à véspera da votação com duas situações distintas: Lula (PT) aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL) em seis levantamentos recentes comparados nesta reportagem, mas a distância diminui nas simulações de segundo turno. O conjunto indica uma posição inicial mais favorável ao presidente, sem oferecer segurança para apontar o vencedor da disputa.

Lula, de camisa azul-clara, segura uma pasta e documentos em uma imagem de arquivo. Lula · PT
Flávio Bolsonaro, de paletó escuro e camisa azul-clara, em uma imagem de arquivo. Flávio Bolsonaro · PL
Lula e Flávio Bolsonaro em imagens de arquivo. Fonte das fotos: DQ Notícias.

A diferença entre liderar o primeiro turno e vencer a eleição é central para compreender o cenário. Na primeira etapa, os votos se distribuem entre diferentes candidaturas. Em um eventual segundo turno, o confronto reúne apenas os dois mais votados, exigindo que ambos conquistem eleitores que inicialmente escolheram outros nomes.

O primeiro turno será realizado neste domingo, 4 de outubro. Para vencer nessa etapa, um candidato precisa receber mais da metade dos votos válidos, desconsiderados os brancos e nulos. Se ninguém alcançar essa maioria, os dois primeiros colocados disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

O que mostram as pesquisas de primeiro turno

Os seis levantamentos abaixo apresentam Lula numericamente à frente. A dimensão da diferença, porém, varia entre os institutos.

Primeiro turno · Intenção de voto estimulada
Instituto Lula
(PT)
Flávio
(PL)
BTG/Nexus Coleta: 25–27 set. · Margem: ±2 p.p. 42% 37%
Quaest Coleta: 24–27 set. · Margem: ±2 p.p. 39% 34%
AtlasIntel Coleta: 23–28 set. · Margem: ±1 p.p. 45,3% 42,2%
Meio/Ideia Coleta: 25–28 set. · Margem: ±2,2 p.p. 39,4% 38,4%
Real Time Big Data Coleta: 26–30 set. · Margem: ±2 p.p. 43% 39%
Datafolha Coleta: 29 set.–1º out. · Margem: ±2 p.p. 42% 38%

Percentuais sobre o total de entrevistados, incluindo respostas de voto branco, nulo e indecisão. São pesquisas diferentes, realizadas em períodos e com metodologias próprias. As margens de erro estão em pontos percentuais (p.p.). Fonte: levantamento comparativo da VEJA e informações dos institutos.

No Datafolha divulgado em 2 de outubro, a estimativa em votos válidos é de 45% para Lula e 40% para Flávio. Esses números utilizam uma base diferente da apresentada na tabela: excluem brancos, nulos e indecisos. Na estimativa da pesquisa, o presidente permanece abaixo da maioria necessária para encerrar a disputa no primeiro turno.

A vantagem observada nesse conjunto de pesquisas sustenta a avaliação de que Lula chega mais bem posicionado para terminar a primeira etapa na liderança. Isso não significa que a ordem de chegada esteja assegurada nem que uma eventual vantagem será preservada no confronto seguinte.

No segundo turno, o cenário se estreita

Quando a pergunta apresenta apenas Lula e Flávio, os resultados ficam mais próximos. Há levantamentos com vantagem numérica do presidente, outros com vantagem do senador e um com igualdade nos percentuais.

Segundo turno · Simulação entre Lula e Flávio
Instituto Lula
(PT)
Flávio
(PL)
Datafolha Coleta: 29 set.–1º out. · Margem: ±2 p.p. 48% 45%
BTG/Nexus Coleta: 25–27 set. · Margem: ±2 p.p. 46% 44%
Quaest Coleta: 24–27 set. · Margem: ±2 p.p. 42% 42%
Meio/Ideia Coleta: 25–28 set. · Margem: ±2,2 p.p. 48,5% 48%
AtlasIntel Coleta: 23–28 set. · Margem: ±1 p.p. 47,6% 47,7%
Real Time Big Data Coleta: 26–30 set. · Margem: ±2 p.p. 45% 46%

Percentuais sobre o total de entrevistados. Nesse conjunto, as diferenças são compatíveis com o chamado empate técnico, consideradas as margens de erro informadas pelos institutos. Fonte: levantamento comparativo da VEJA e informações dos institutos.

Outro levantamento, da Palver, registra 45% para Lula e 47% para Flávio no confronto direto. A pesquisa ouviu 5 mil pessoas pela internet entre 24 e 27 de setembro e informa margem de erro de 2,4 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Os resultados mostram por que a liderança no primeiro turno não pode ser convertida automaticamente em favoritismo para a vitória final. Flávio aparece competitivo nas simulações, enquanto Lula não estabelece uma distância consistente entre diferentes pesquisas.

A transferência de votos pode mudar a disputa

Um dos pontos decisivos de um eventual segundo turno será o comportamento dos eleitores das demais candidaturas.

O Datafolha identifica maior preferência por Flávio entre entrevistados que escolhem Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos no primeiro turno. Há, entretanto, parcelas desses mesmos grupos que optariam por Lula ou pelo voto branco e nulo. Apoiar um candidato na primeira etapa não determina automaticamente a escolha na segunda.

Por isso, somar todos os votos de candidaturas situadas à direita e atribuí-los a Flávio produziria uma projeção inadequada. O mesmo vale para qualquer soma automática em favor de Lula.

As perguntas de segundo turno já procuram captar essas preferências. Acrescentar novamente os votos de outros candidatos aos percentuais do confronto direto significaria contar parte do eleitorado duas vezes.

Além disso, uma simulação feita antes do primeiro turno mede uma escolha hipotética. Depois da votação, apoios políticos, debates e decisões das campanhas podem alterar a disposição dos eleitores. A existência dessa possibilidade não permite antecipar para qual lado ocorrerá a mudança.

Rejeição elevada limita a expansão dos dois

O Datafolha registra rejeição de 45% tanto a Lula quanto a Flávio. O indicador corresponde aos entrevistados que afirmam não votar de jeito nenhum em cada candidato.

A rejeição ajuda a explicar a dificuldade de ampliar o apoio para além das bases já conquistadas. Em uma disputa próxima, convencer quem rejeita um candidato pode ser mais difícil do que mobilizar quem já demonstra simpatia por ele.

Esses percentuais, contudo, não devem ser somados: uma mesma pessoa pode rejeitar mais de um nome. Tampouco funcionam como um limite matemático definitivo de votação. São respostas colhidas naquele momento, sujeitas a mudanças.

Para as campanhas, o desafio envolve tanto conquistar novos votos quanto evitar perdas entre os eleitores que já manifestam preferência.

Bases consolidadas reduzem o espaço para mudanças

A pesquisa BTG/Nexus mostra que 87% dos entrevistados que escolheram algum candidato dizem estar com a decisão tomada. Entre os eleitores de Lula, o índice chega a 92%; entre os de Flávio, a 91%.

Ficha técnica · BTG/Nexus
O levantamento ouviu 2 mil eleitores por telefone, de 25 a 27 de setembro, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, com confiança de 95%, e o registro eleitoral é BR-07557/2026.

A consolidação das preferências indica que uma parcela expressiva do eleitorado declara pouca disposição para mudar. Ainda assim, intenção firme não equivale a voto depositado na urna. O resultado dependerá também de quem efetivamente comparecer e de como votarão aqueles que ainda admitem rever a escolha.

Em uma eleição equilibrada, movimentos relativamente pequenos podem ter importância. Isso não autoriza afirmar que uma declaração, um debate ou uma denúncia produzirá determinada quantidade de votos: esse efeito precisa ser medido, não presumido.

Por que os institutos apresentam números diferentes

Pesquisas eleitorais trabalham com amostras, não com a totalidade dos eleitores. Cada instituto utiliza procedimentos próprios de seleção, entrevista e ponderação das respostas.

Ficha técnica · Datafolha
O instituto realizou 2.506 entrevistas presenciais em 152 municípios, entre 29 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com confiança de 95%, e o registro é BR-08039/2026.

Diferenças de período e método precisam ser consideradas na comparação. Não é adequado tratar a distância entre dois institutos como se fosse uma mudança do eleitorado ao longo do tempo. Para avaliar uma tendência, a comparação entre rodadas do mesmo levantamento costuma oferecer uma referência mais consistente.

Também não basta calcular uma média simples dos percentuais e apresentá-la como previsão. Uma agregação exige critérios sobre quais pesquisas incluir, como considerar sua atualidade e como lidar com diferenças metodológicas.

O que ainda pode decidir a eleição

O comparecimento às urnas é uma das variáveis que permanecem abertas. As pesquisas estimam preferências; a eleição contabiliza os votos de quem participa. Diferenças de mobilização entre grupos de eleitores podem afetar o resultado.

Outro fator é o destino dos votos das candidaturas que ficarem fora de um eventual segundo turno. Declarações de apoio poderão orientar parte do eleitorado, mas não substituirão a decisão individual de cada pessoa.

Brancos, nulos e indecisos também exigem atenção. Esses grupos não formam uma reserva de votos automaticamente disponível para um dos candidatos. Parte pode escolher um nome, parte pode manter a opção de não dar um voto válido e parte pode não comparecer.

A votação de domingo mostrará a força efetiva de cada candidatura e, se houver segundo turno, estabelecerá um novo ponto de partida para a campanha.

Fontes e documentos consultados

Reportagem baseada em pesquisas divulgadas até 2 de outubro de 2026. Os levantamentos retratam os períodos de coleta informados e não constituem previsão do resultado eleitoral.