Não é só no Brasil. O preço mundial do café registrou um aumento de 38,8% em 2024, comparado à média do ano anterior, conforme um relatório divulgado na semana passada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O documento aponta que a alta nos valores é impulsionada principalmente por problemas climáticos que afetam a oferta e reduzem os estoques globais.
O café do tipo arábica, por exemplo, teve uma valorização de 70% na bolsa Intercontinental Exchange (ICE) em 2023, e mais de 20% de aumento somente neste ano. De acordo com a FAO, o impacto desse encarecimento deve ser sentido pelos consumidores ao longo de quatro anos.
Impacto nos mercados globais

Os reajustes de preço estão sendo repassados ao consumidor. Segundo a FAO, cerca de 80% dos aumentos serão percebidos nos preços finais ao longo de 11 meses na União Europeia, enquanto nos Estados Unidos esse repasse ocorrerá em oito meses. No Brasil, a inflação do café atingiu 66,18% nos últimos 12 meses, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais recente.
O relatório destaca ainda que, nos países produtores, os aumentos para os agricultores foram inferiores aos registrados nos mercados internacionais. Os preços pagos aos produtores de café em grão cresceram 17,8% na Etiópia, 12,3% no Quênia, 13,6% no Brasil e 11,9% na Colômbia.
Expectativas para os próximos anos
A FAO alerta que os valores do café podem continuar subindo em 2025, caso as principais regiões produtoras sofram novas reduções na oferta. O impacto do aumento também deve persistir no varejo, especialmente na União Europeia, onde um acréscimo de 1% no custo do grão cru gera um aumento de 0,24% no preço final após 19 meses.
O que está causando a alta do café?
Diversos fatores estão contribuindo para a escalada dos preços do café:
- Mudanças climáticas: Seca, calor intenso e geadas têm prejudicado a produção nos últimos quatro anos, afetando a qualidade e a quantidade do café colhido. Em resposta, a indústria enfrentou um aumento de 224% no custo da matéria-prima, enquanto o consumidor viu os preços dispararem 110%.
- Altos custos logísticos: Conflitos no Oriente Médio elevaram os custos de transporte e o preço dos contêineres, essenciais para a exportação.
- Maior demanda global: O café é a segunda bebida mais consumida no mundo, perdendo apenas para a água. Com a expansão dos mercados internacionais, os produtores brasileiros estão exportando mais, reduzindo a oferta no mercado interno.
- Crise no Vietnã: Maior produtor mundial do café robusta, o Vietnã teve uma queda de 20% na produção em 2023/24 devido ao clima seco. Como consequência, o robusta atingiu valores recordes, chegando a superar o preço do arábica pela primeira vez em sete anos.
A expectativa é que o setor cafeeiro continue a enfrentar desafios, e os consumidores devem se preparar para manter o café no orçamento por um preço cada vez mais elevado nos próximos anos.