O líder do Governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que o Palácio do Planalto vai revisar cargos e emendas de deputados e senadores que votam contra as pautas do Executivo, mesmo ocupando posições indicadas pelo governo. A declaração foi dada em entrevista publicada nesta sexta-feira (10) pelo Jornal O Povo.

Guimarães classificou como “malandragem política” o comportamento de parlamentares que, segundo ele, se dizem aliados, mas atuam sistematicamente contra o governo nas votações.

“O cara fica votando o dia todo contra o governo e à noite vai pedir emenda pra Gleisi. Isso não é bom, não é pedagógico nem educativo. Isso é malandragem”, afirmou o deputado.

Revisão deve ocorrer até o fim do ano

O líder petista afirmou que a “limpeza” nos cargos e benefícios será concluída até o fim de 2025. Segundo ele, o objetivo é fortalecer a base parlamentar e punir a infidelidade política. “Nós vamos passar isso a limpo até o final do ano”, disse.

Guimarães também criticou o comportamento de parlamentares que, nas palavras dele, “têm duas caras”, especialmente no Ceará.

“Conheço deles que têm cargos aqui no Estado e que a ministra Gleisi Hoffmann vai tirar. E continuam fazendo essas peripécias contra o governo. Hoje em dia ninguém esconde mais nada”, declarou.

Cargos e emendas como moeda política

A declaração escancara o momento de tensão na base aliada, após derrotas recentes do governo em votações importantes na Câmara. O recado de Guimarães indica que o Executivo deve condicionar a liberação de cargos e emendas à fidelidade nas votações, especialmente diante das articulações políticas para as eleições de 2026.

A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, é citada como responsável por despachar as demandas dos parlamentares. Segundo Guimarães, os ajustes já estão sendo discutidos entre os ministérios e a liderança do governo no Congresso.

“Não é razoável o cara fazer o que quer em Brasília, ter cargo, ter emenda e votar contra. Quem quer estar no governo, tem que se comportar como governo”, resumiu o líder petista.