A agenda do Tribunal Superior Eleitoral para as eleições de 2026 já definiu uma de suas maiores preocupações: a infiltração de facções criminosas no processo político. A avaliação não é teórica. Nos últimos dias, operações da Polícia Federal e decisões judiciais expuseram articulações de grupos criminosos para blindar integrantes e influenciar estruturas de poder.
O alerta não é novo. Em 2024, durante as eleições municipais, a então presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, e a Organização dos Estados Americanos já haviam chamado atenção para o uso do capital político, das redes de influência e do financiamento ilegal por organizações criminosas.

Sinal vermelho aceso desde 2024
Naquele período, Cármen Lúcia afirmou que a tentativa de infiltração do crime organizado na política “não pode ser subestimada” e representa ameaça direta à democracia. A preocupação ganhou força novamente em março deste ano, quando o TSE consolidou entendimento de que a vedação de candidatura de integrante de organização paramilitar ou congênere decorre diretamente da Constituição Federal.
O entendimento se baseia no artigo 17, parágrafo 4º, e determina que nenhum grupo criminoso pode interferir, direta ou indiretamente, no processo eleitoral. A decisão estabeleceu diretrizes claras para impedir que candidatos vinculados a facções disputem cargos públicos.
Decisões reforçam dever de vigilância
Em voto que foi acompanhado por unanimidade, ministros destacaram que “a Justiça Eleitoral não pode fechar os olhos à realidade nacional na qual organizações criminosas buscam se infiltrar na política, numa simbiose entre atuação estatal e continuidade delitiva”. Para o tribunal, essa dinâmica exige monitoramento constante e respostas institucionais rápidas.
A avaliação é de que a tentativa de captura do sistema político por facções deixou de ser ameaça periférica e passou ao centro das preocupações do país, especialmente diante de evidências recentes sobre articulações envolvendo agentes públicos e membros de grupos criminosos.
Eleições de 2026 terão medidas reforçadas
Com esses precedentes, o TSE se prepara para adotar medidas mais rigorosas de fiscalização e controle durante as eleições de 2026. Integrantes da Corte avaliam que o enfrentamento ao crime organizado e a preservação da integridade do processo eleitoral devem ocupar posição de prioridade absoluta no próximo ciclo.
O tribunal estuda ampliar cooperação com órgãos de investigação, fortalecer protocolos de segurança e monitoramento e intensificar análises sobre financiamento de campanhas, sobretudo em regiões mais vulneráveis à atuação de facções.