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A Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro contra integrantes de uma facção criminosa, leva necessariamente ao debate que o país ainda evita encarar com suficiente maturidade: o equilíbrio entre a coragem dos que enfrentam o crime e a responsabilidade do Estado em proteger a vida — de todos. A ação, marcada por intensos confrontos e mais de 120 mortes, incluindo a de bravos policiais, revela tanto o heroísmo dos agentes em missão quanto as falhas estruturais de um modelo de segurança pública que continua a operar entre improvisos e tragédias anunciadas.

Nenhum Estado moderno pode considerar o resultado morte como sinônimo de sucesso. A vitória da lei não se mede por corpos caídos, mas pela capacidade de restaurar a ordem sem comprometer os princípios civilizatórios que sustentam uma democracia. Quando o combate ao crime se confunde com guerra, o risco é transformar o policial em soldado de trincheira e o cidadão, em alvo colateral.

O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), assim como outros chefes de executivos estaduais, apressou-se em celebrar o resultado da operação, chamando-a de "sucesso", ainda que à custa de mais de uma centena de corpos e da queda de quatro guerreiros policiais. Nas redes sociais, a exaltação do método parece ter recebido a maior parte da aprovação. É evidente que Estados como o Rio de Janeiro precisam redefinir o que entendem por sucesso em segurança pública. Se o número de mortos é comemorado como resultado positivo, algo está profundamente errado na forma como tais Estados medem suas eficiências.

Os agentes da linha de frente merecem respeito e preparo. São eles que, sob condições precárias, enfrentam facções armadas, territórios hostis e um sistema que os envia ao campo de batalha, em geral, com treinamento e equipamentos insuficientes. Carregam o peso de uma guerra que não escolheram. Mas a coragem, sozinha, não basta. É dever do Estado garantir planejamento tático, inteligência e suporte psicológico, para que o combate ao crime não se converta em autossacrifício.

O sargento Heber Carvalho da Fonseca, de 39 anos, integrante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), foi uma das quatro vítimas fatais entre os policiais mortos durante a megaoperação no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, na última terça-feira (28).

A Operação Contenção também escancara o domínio criminoso sobre comunidades inteiras, onde o Estado só aparece com armas em punho. Esse ciclo de ausência, intervenção e abandono perpetua o poder das facções e alimenta a desconfiança da população. Um dia depois da operação, o que mais o Estado deixou nas comunidades, além de medo, buracos nas paredes e sangue nas ruas? Segurança pública exige presença constante, políticas sociais e investimento em educação, saúde e urbanização — não apenas incursões de emergência.

O Brasil precisa decidir se quer combater o crime ou administrar a violência. A primeira opção exige estratégia, preparo e humanidade; a segunda, apenas força e, depois, luto. O Diário de Quixadá defende que a coragem policial deve ser reconhecida, mas jamais usada para encobrir a omissão institucional dos poderes constituídos que expõe vidas ao risco e fragiliza a própria ideia de justiça.

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