A partir desta sexta-feira (21), trabalhadores do setor privado com carteira assinada poderão acessar uma nova modalidade de crédito consignado (com desconto em folha de pagamento). O empréstimo permite o uso de até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia, reduzindo os riscos para as instituições financeiras e, consequentemente, as taxas de juros.

Apesar da liberação, a regulamentação oficial do uso do FGTS ainda não foi concluída pelo Conselho Curador, que só deve analisar o tema em 15 de junho. O secretário-executivo do Ministério do Trabalho, Francisco Macena, minimizou a preocupação com o período sem garantia formal, argumentando que o risco de demissões em tão curto prazo é baixo.

“Estamos falando de alguém que vai contrair empréstimos dia 21 e tem de ser demitido até 15 de junho. Pode ser demitido antes, pode. O risco que vai ficar para frente vai ser de um mês ou menos que isso”, explicou Macena.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) destacou que a novidade é positiva para trabalhadores da iniciativa privada, mas alertou que a adesão pode ser mais lenta no início devido à necessidade de ajustes nos sistemas bancários.

“Prevemos que os primeiros dias de operação serão mais modestos, em função de adequação de processos e sistemas”, informou a entidade.

Juros menores e mais trabalhadores beneficiados

O crédito consignado para celetistas deve reduzir significativamente as taxas de juros, que atualmente giram em torno de 2,89% ao mês para o setor privado. Com as garantias do FGTS, o custo do empréstimo pode cair até 40%, tornando-se uma opção mais vantajosa em comparação com outras linhas de crédito.

O novo programa pode beneficiar cerca de 47 milhões de trabalhadores formais, incluindo empregados rurais, domésticos e microempreendedores individuais (MEI), que antes não tinham acesso a essa modalidade. Segundo o Ministério do Trabalho, a busca pelo crédito poderá ser feita por meio do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital).