Brasil supera Arábia Saudita e se torna o segundo maior fornecedor de petróleo à China

Compras chinesas de óleo brasileiro somaram 44,29 milhões de toneladas entre janeiro e setembro de 2026. A Rússia mantém a liderança.

20 de outubro de 2026

Navio-plataforma Sepetiba deixando um estaleiro na China, com destino ao Brasil.
Navio-plataforma Sepetiba deixa estaleiro em Tianjin, na China, rumo ao Brasil, em junho de 2023. A imagem retrata cooperação industrial, e não transporte de uma carga de petróleo para o mercado chinês. Foto: SBM/Divulgação Petrobras.

O Brasil ultrapassou a Arábia Saudita nas vendas de petróleo bruto à China nos primeiros nove meses de 2026. O resultado aparece em dados da alfândega chinesa compilados pela Reuters e divulgados pelo UOL nesta terça-feira (20).

Brasil à frente dos sauditas

Importações chinesas de petróleo bruto, de janeiro a setembro de 2026. Milhões de toneladas.

Brasil 44,29
Arábia Saudita 43,12

Mesma escala para as duas barras, com início em zero. Comparação entre os dois países; não representa o ranking completo. Fonte: alfândega chinesa/Reuters.

Setembro reforçou a mudança

Petróleo bruto importado pela China em setembro de 2026
Origem Milhões de toneladas Variação anual
Rússia 9,94 +20%
Brasil 5,15 +18%
Arábia Saudita 2,70 −62%

Variações sobre setembro de 2025. Fonte: Reuters, com dados alfandegários chineses.

Uma relação que também envolve plataformas e estaleiros

A ligação entre os países vai além da compra de óleo. Em junho de 2023, o navio-plataforma Sepetiba deixou o estaleiro Bomesc, em Tianjin, para integrar o projeto de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos. A unidade foi construída com capacidade para produzir até 180 mil barris por dia.

Na ocasião, a Petrobras informou que o consórcio de Mero reunia, entre seus parceiros, as chinesas CNPC e CNOOC. O projeto mostra outra dimensão dessa relação: empresas chinesas também participam da cadeia de produção no Brasil.

Representantes brasileiros e chineses reunidos em Pequim para discutir investimentos na indústria naval.
Missão brasileira discute investimentos no setor naval com representantes chineses em Pequim, em abril de 2025. Foto: Agência Petrobras/Divulgação.

Cooperação industrial acompanha os negócios de energia

Em abril de 2025, Magda Chambriard e o ministro Rui Costa participaram de reuniões com empresários, investidores e representantes do governo chinês em Pequim. A agenda incluiu oportunidades na indústria naval e possibilidades de ampliação dos estaleiros brasileiros.

Segundo a Petrobras, a missão buscava aproximar empresas chinesas de parceiros brasileiros para investimentos e cooperação tecnológica. É uma frente industrial distinta das estatísticas de importação, mas ligada ao mesmo setor de petróleo e gás.

Como comparar os números sem misturar os períodos?

O gráfico reúne nove meses de compras. A tabela mostra apenas setembro. Para comparar países, é preciso observar o mesmo intervalo e a mesma unidade. Toneladas medem quantidade física; não informam, sozinhas, quanto foi recebido pelas vendas.