A expectativa em torno do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de sete de seus ex-auxiliares tomou proporções gigantescas. O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou que a sentença será lida numa sexta-feira, dia 12 de setembro, o que transformou o dia tradicionalmente reservado à cervejinha, ao churrasco e à resenha entre amigos em um evento de interesse nacional.

Nas redes sociais, o clima é de “Copa do Mundo”. Memes com televisões na calçada, camisas de seleção e torcida organizada já circulam com intensidade. A expectativa é tanta que mais de 3 mil pessoas se inscreveram para acompanhar presencialmente o julgamento, e o STF já credenciou 501 jornalistas.

Jair Bolsonaro / Crédito: Antonio Augusto/STF

O que está em jogo

Bolsonaro e seus ex-auxiliares são acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de integrar uma organização criminosa que tentou impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva após a eleição de 2022. Segundo a acusação, o grupo teria montado uma trama golpista para manter Bolsonaro no poder.

O julgamento começa na terça-feira, dia 2 de setembro, e contará com sessões nos dias 2, 3, 9, 10 e 12. A última data, marcada para uma sexta-feira, deve selar a leitura da sentença — e será acompanhada por um forte esquema de segurança em Brasília.

Segurança reforçada e acesso limitado

O STF confirmou reforço na segurança desde o início da semana do julgamento. A praça dos Três Poderes será isolada já na segunda-feira (1º) pela Polícia Militar do Distrito Federal.

A tropa de choque, o Bope e o Comando de Operações Táticas estarão de prontidão. Detectores de metais, cães farejadores e controle total de acesso também foram anunciados. O público geral será acomodado em uma sala anexa com 150 lugares, enquanto os jornalistas terão 80 vagas por ordem de chegada na sala da Primeira Turma, onde ocorrerá o julgamento.

A tensão vai além do Brasil

O julgamento também causou reações no exterior. O ex-presidente norte-americano Donald Trump, aliado de Bolsonaro, anunciou um tarifaço de 50% contra produtos brasileiros e classificou o julgamento como “perseguição política”.

Em resposta, o presidente Lula declarou que o Brasil “não negocia sua soberania” e classificou como traição as falas de Eduardo Bolsonaro, que teria estimulado ações do governo dos EUA contra o Brasil.

A revista The Economist, uma das mais influentes do mundo, estampou na capa desta quinta-feira uma montagem com Bolsonaro caracterizado como um invasor do Capitólio, sugerindo que o Brasil estaria “dando uma lição aos Estados Unidos” ao julgar a tentativa de golpe.

O palco da sentença

A Primeira Turma do STF, responsável pelo julgamento, é composta pelos ministros Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Zanin (presidente da turma), Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux.

Na fase anterior do processo, todos os réus negaram qualquer envolvimento com tentativa de golpe e alegaram que a denúncia da PGR é infundada.

A leitura da sentença, marcada para uma sexta-feira, adiciona uma camada de simbolismo. Um dia de comemorações rotineiras pode, neste ano, entrar para a história como o dia em que o Brasil julgou seu ex-presidente por tentativa de golpe de Estado.