Foto: Diocese de Quixadá/Reprodução

Um padre que atua no município de Quixadá foi denunciado por suposta transfobia em razão de falas feitas durante uma missa realizada no último domingo (1º). A denúncia contra o padre Francisco Wilson foi apresentada nesta terça-feira (3) pela Associação Cearense de Diversidade e Inclusão (ACEDI) ao Ministério Público.

Segundo a entidade, trechos da homilia atribuída ao sacerdote foram considerados discriminatórios. Na denúncia, a ACEDI destacou uma fala registrada durante a celebração: “Agora, homem e mulher é pela ideia que você cria de você mesmo. Não interessa o seu corpo. Jesus não manda isso. O que Jesus diz: ‘homem é homem e mulher é mulher’”.

Conteúdo questionado na denúncia

Ainda de acordo com a associação, o padre também teria sugerido a existência de uma “ideologia de gênero”, mencionando que esse tema estaria sendo ensinado em escolas a crianças, além de criticar lideranças religiosas que apoiam direitos da população LGBT. Para a entidade, as falas extrapolariam os limites da liberdade religiosa.

Na representação encaminhada ao Ministério Público, a ACEDI argumenta que “as manifestações descritas, em tese, ultrapassam os limites da liberdade religiosa e de expressão, podendo configurar discurso discriminatório e de ódio, especialmente contra pessoas transgênero, grupo historicamente vulnerabilizado”.

A associação acrescenta que, mesmo em contexto religioso, discursos que negam identidades e reforçam estigmas podem contribuir para a naturalização da violência e da exclusão social, sobretudo quando proferidos por figuras com autoridade moral e institucional.

Posicionamento da Diocese

O advogado da Diocese de Quixadá, Romero Lemos, informou à imprensa que a Cúria Diocesana recebeu apenas um trecho isolado da homilia. Segundo ele, a Diocese determinou a convocação do padre para prestar esclarecimentos sobre o conteúdo integral da pregação e o contexto em que a fala foi proferida.

Após essa avaliação, a Diocese deverá emitir uma nota formal sobre o caso. O advogado destacou que a apuração interna busca evitar medidas precipitadas antes da análise completa dos fatos.

Investigação policial e atuação do Ministério Público

Em nota, a Polícia Civil do Ceará informou que investiga as circunstâncias de um possível crime por conduta transfóbica, registrado no dia 1º de fevereiro, em Quixadá. O inquérito está sob responsabilidade da Delegacia de Polícia Civil do município. A corporação ressaltou a importância de que pessoas eventualmente atingidas compareçam à unidade policial para prestar informações.

O Ministério Público do Ceará informou que, por meio da 8ª Promotoria de Justiça de Quixadá, aguarda a conclusão do inquérito policial para então se manifestar sobre o caso.

Até o momento, não há decisão judicial ou administrativa relacionada à denúncia.