Mianmar foi atingido na sexta-feira (28) por um terremoto de magnitude 7,7, considerado o desastre natural mais mortal da história do país. Segundo informações da mídia estatal, atualizadas neste domingo (30), o tremor deixou mais de 1,6 mil mortos e 3,4 mil feridos. O impacto do abalo sísmico também foi sentido na Tailândia e na China, onde foram registradas 17 mortes.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) emitiu um alerta vermelho para a região, estimando que o número de vítimas pode ser ainda maior, superando 10 mil mortos. A destruição generalizada e a precariedade da infraestrutura dificultam os esforços de resgate. Em muitas cidades, moradores tiveram que cavar os escombros com as próprias mãos para tentar salvar vítimas.

Infraestrutura destruída dificulta resgates

Os tremores atingiram duramente cidades como Mandalay, a segunda maior do país, e Naypyitaw, a capital. Com edifícios, estradas e pontes destruídas, o acesso às áreas mais afetadas ficou comprometido. A torre de controle do Aeroporto Internacional de Naypyitaw desabou, enquanto o terminal de Mandalay registrou cenas de pânico com passageiros correndo desesperados.

Relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que diversas unidades de saúde foram severamente danificadas ou completamente destruídas. A escassez de suprimentos médicos, como kits de trauma, anestésicos e bolsas de sangue, agrava a situação. O abastecimento de eletricidade e internet também foi interrompido em várias regiões.

Em Sagaing, uma das cidades mais atingidas, moradores relataram que ainda não receberam qualquer assistência do governo.

“O que estamos vendo aqui é uma destruição generalizada – muitos edifícios desabaram no chão. Estamos sem eletricidade desde o desastre e a água potável está acabando”, disse Han Zin, residente local, à agência Reuters.

Isolamento político e pedido de ajuda internacional

Desde 2021, Mianmar é governado por uma junta militar que tomou o poder após um golpe de Estado. O país enfrenta uma guerra civil e sofre com sanções internacionais, o que dificulta a chegada de ajuda humanitária. No entanto, diante da catástrofe, o governo fez um apelo raro pedindo doações a qualquer nação ou organização que possa contribuir com os resgates.

Os vizinhos de Mianmar responderam ao pedido. A China enviou 135 equipes de resgate, kits médicos e US$ 14 milhões em ajuda emergencial. A Rússia também enviou socorristas e suprimentos. Além disso, países como Índia, Coreia do Sul, Malásia e Cingapura anunciaram assistência humanitária. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington também contribuirá com a resposta ao desastre.

A ONU destinou US$ 5 milhões para ações emergenciais e enviou comboios com suprimentos essenciais. No entanto, a insegurança nas estradas e o conflito entre militares e grupos de resistência dificultam a distribuição da ajuda.

Guerra civil e cessar-fogo temporário

A guerra civil em Mianmar, que já havia deslocado mais de 3 milhões de pessoas antes do terremoto, torna o cenário ainda mais desafiador. Muitas das áreas atingidas estão sob controle de grupos opositores à junta militar, o que dificulta o acesso das equipes de resgate.

Diante da tragédia, as forças de resistência anunciaram um cessar-fogo temporário para facilitar os trabalhos de resgate. No entanto, o grupo alertou que poderá retomar os combates caso seja atacado pelas forças militares do governo.

A crise humanitária se agrava a cada dia, e a resposta do governo e da comunidade internacional será fundamental para mitigar os impactos desse desastre sem precedentes.

(Fotos nesta matéria: Agência Reuters)