O cessar-fogo na Faixa de Gaza foi interrompido nesta terça-feira (18), quando Israel retomou ataques aéreos no território, resultando na morte de mais de 400 pessoas, incluindo mulheres, crianças e idosos, conforme autoridades palestinas. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que usará “força militar crescente” contra o grupo Hamas, enquanto o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou: “Esta noite voltamos a lutar em Gaza”.

A escalada da violência ocorre após o fracasso de negociações para a libertação dos reféns israelenses e um acordo de paz permanente. Segundo a agência militar de Israel, ataques aéreos estão sendo conduzidos contra alvos do Hamas em diferentes regiões da Faixa de Gaza. Porém, o que se viu, segundo relatos de agências internacionais independentes, foi um massacre contra famílias e pessoas de forma indiscriminada.

Israel mata indiscriminadamente

Vídeos e relatos que se multiplicam na internet mostram cenas de pânico e caos em Gaza, com famílias tentando levar feridos para hospitais superlotados. “Várias explosões em apenas alguns minutos, uma após a outra”, descreveu a médica voluntária Razan Al-Nahhas, do Hospital Al-Ahli.

Mulher palestina chora sentada nos escombros de sua casa, destruída no ataque israelense contra o campo de refugiados de Nuseirat — Foto: Eyad Baba/AFP

A Defesa Civil de Gaza informou que muitas pessoas estão presas sob escombros de casas destruídas. Os ataques foram registrados em cidades como Gaza, Khan Younis e Deir al-Balah, atingindo hospitais e residências. Imagens mostram crianças feridas, com membros decepados pelas explosões e corpos cobertos com cobertores manchados de sangue.

“Bebês, crianças por todo o chão, sangrando na cabeça e abdômen. Ferimentos nas extremidades. Eu estava cuidando de um menino de 7 anos que estava ofegante e dando seus últimos suspiros e me implorando para tentar salvá-lo, porque eles estão me dizendo que sua família inteira foi morta. Vários irmãos, pais. Mas a maioria dos casos que vimos hoje à noite são crianças”, contou Al-Nahhas à uma repórter da CNN.

De uma sacada em um dos prédios do hospital, a médica disse que “consegue ver todos os corpos das pessoas que foram mortas enfileirados”, contando que pelo menos 50 deles estavam “apenas enrolados em cobertores” porque não havia necrotério.

“Eles continuam trazendo mais corpos”, ela expressou. “É muito difícil dizer os números agora porque há pacientes em todos os lugares no chão e as macas nos corredores.”

O chefe do Hospital Al-Shifa, Muhammad Abu Salmiya, alertou que o sistema de saúde já colapsou, com escassez de medicamentos e equipamentos médicos.

“Foi um duro golpe em um sistema de saúde exausto, sofrendo com a escassez de medicamentos e uma grave falta de equipamento médico. Os feridos estão morrendo sem encontrar sequer uma cama para tratamento”, afirmou.

Israel notificou o governo Trump antes de seus ataques a Gaza, segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.

O exército israelense continuou a operar dentro de Gaza desde o início do cessar-fogo em 19 de janeiro, mas os ataques aéreos desta terça-feira (18) são o sinal mais claro de que os esforços para estender a trégua fracassaram.

Netanyahu e o Ministro da Defesa Katz justificaram a operação avassaladora, acusando o Hamas de se recusar “repetidamente” a libertar reféns e rejeitar todas as ofertas do enviado presidencial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e mediadores.