Da energia ao alimento: 10 atividades econômicas em que o Nordeste lidera o Brasil

Ventos, frutas, camarões e rebanhos colocam a região no centro de cadeias produtivas nacionais. Em cada um dos dez indicadores, sua participação supera a das outras quatro regiões somadas.

21 de outubro de 2026

Torres de energia eólica na paisagem da Bahia.
Torres de energia eólica na Bahia, em janeiro de 2025. Foto: Roque de Sá/Agência Senado · CC BY 2.0.

Olhe para um parque eólico, uma caixa de melões ou um prato de camarão cultivado. Em atividades bem diferentes, uma mesma região ocupa posição central: o Nordeste. O peso nordestino aparece tanto na infraestrutura de energia quanto na agricultura, na aquicultura e na criação de animais.

Os números vão além de uma vantagem sobre cada região isoladamente. Nos dez indicadores reunidos nesta reportagem, o Nordeste concentra mais da metade do total brasileiro. Isso significa superar, em cada comparação, Norte, Sudeste, Sul e Centro-Oeste somados.

São retratos de atividades específicas. Eles mostram especialização e importância produtiva, sem significar que a economia nordestina, considerada em seu conjunto, seja a maior do país. Os períodos também variam: agricultura de 2024, pecuária e aquicultura de 2025 e capacidade eólica de setembro de 2025.

Quanto do Brasil está no Nordeste?

Participação regional no indicador de cada atividade. Todas as barras vão de 0% a 100%; não representam faturamento.

Nordeste Demais regiões somadas
Energia eólica · capacidade instalada 93%
Camarão cultivado · produção 99,7%
Caprinos · rebanho 96,6%
Ovinos · rebanho 75,8%
Sisal (agave) · produção 100%
Castanha-de-caju · produção 99,56%
Melão · produção 98,35%
Manga · produção 82,11%
Fava · produção 99,42%
Mamona · produção 95,56%

Fontes: BNB/Aneel, setembro de 2025; IBGE/PPM, 2025; Sudene/PAM-IBGE, 2024. As medidas são diferentes e estão identificadas em cada linha.

01 Energia eólica

93%

da capacidade instalada brasileira · setembro de 2025

O Nordeste reunia 32,1 gigawatts e 1.026 usinas eólicas em operação, segundo o Caderno Setorial ETENE, do Banco do Nordeste, elaborado com dados da Aneel. A concentração coloca a região no centro da infraestrutura brasileira de aproveitamento dos ventos.

Capacidade instalada é a potência dos equipamentos, não a quantidade de eletricidade efetivamente entregue. Pense numa fábrica: o tamanho das máquinas informa quanto ela pode produzir, mas não quanto produziu em cada dia.

Fonte: BNB — Caderno Setorial ETENE, Energia Eólica.

02 Camarão cultivado

99,7%

da produção nacional de cultivo · 2025

Quase todo o camarão produzido pela aquicultura brasileira vem do Nordeste. O Ceará respondeu por 53,3% do total nacional e o Rio Grande do Norte, por 22%. Os dois estados concentram a maior parte dessa cadeia.

O indicador trata de criação em cativeiro, também chamada de carcinicultura. Não deve ser confundido com o volume capturado pela pesca no mar.

Fonte: IBGE, Pesquisa da Pecuária Municipal 2025, divulgada pela Agência Gov.

03 Rebanho de caprinos

96,6%

das cabras e dos bodes brasileiros · 2025

A criação de caprinos tem no Nordeste seu principal território. De cada cem animais do rebanho nacional, aproximadamente 97 estavam na região.

O número mede a quantidade de animais. Não é uma medida de renda dos criadores, produtividade, litros de leite ou toneladas de carne.

Fonte: IBGE/PPM 2025, via Agência Gov.

04 Rebanho de ovinos

75,8%

das ovelhas e dos carneiros brasileiros · 2025

Mais de três quartos dos ovinos do Brasil estavam no Nordeste. O Sul, que aparece na sequência, reunia 15,6% do efetivo nacional.

Assim como nos caprinos, a liderança é de rebanho. Para saber quem fatura mais ou produz mais carne, seria necessário consultar indicadores próprios dessas atividades.

Fonte: IBGE/PPM 2025, via Agência Gov.

05 Sisal, o agave

100%

da produção brasileira · 2024

O levantamento da Sudene, baseado na Produção Agrícola Municipal do IBGE, atribui ao Nordeste toda a produção nacional de sisal, com aproximadamente 93,3 mil toneladas.

É o caso de concentração mais completa desta lista: no recorte publicado, a produção registrada está integralmente na região.

Fonte: Sudene/PAM-IBGE 2024, divulgada pela CNN Brasil.

06 Castanha-de-caju

99,56%

da produção nacional · 2024

A presença da castanha-de-caju na economia nordestina aparece com clareza nos números: a região produziu cerca de 158,5 mil toneladas, praticamente todo o volume brasileiro.

O percentual se refere à castanha produzida. Não corresponde à participação nas exportações nem ao volume do pedúnculo, a parte carnosa popularmente chamada de caju.

Fonte: Sudene/PAM-IBGE 2024, via CNN Brasil.

Trabalhadores durante a colheita de melões em uma área agrícola de Juazeiro, na Bahia.
Colheita de melão em Juazeiro, na Bahia. Imagem de arquivo. Foto: Frederico Celente/Codevasf · CC BY 2.0. Imagem disponibilizada na reportagem do Dialogue Earth.

07 Melão

98,35%

da produção brasileira · 2024

O Nordeste produziu aproximadamente 803 mil toneladas de melão. A participação regional deixa uma parcela inferior a 2% para as outras quatro regiões juntas.

É uma liderança de volume colhido. O destino dessa produção — mercado interno ou compradores no exterior — exige outra estatística.

Fonte: Sudene/PAM-IBGE 2024, via CNN Brasil.

08 Manga

82,11%

da produção nacional · 2024

Com cerca de 1,51 milhão de toneladas, o Nordeste respondeu por mais de quatro quintos da manga brasileira. O Vale do São Francisco se destaca nessa produção, associada à fruticultura irrigada.

A dimensão desse polo ajuda a entender por que olhar apenas para a falta de chuva é insuficiente para descrever a agricultura regional. A produção também envolve infraestrutura hídrica, tecnologia e organização das cadeias.

Fonte: Sudene/PAM-IBGE 2024, via CNN Brasil.

09 Fava

99,42%

da produção brasileira · 2024

Outro alimento de forte presença regional, a fava tem produção quase inteiramente nordestina. As demais regiões respondem, juntas, por menos de 1% do total registrado.

O indicador dá dimensão nacional a uma cultura que pode parecer apenas parte da alimentação cotidiana de determinados lugares.

Fonte: Sudene/PAM-IBGE 2024, via CNN Brasil.

10 Mamona

95,56%

da produção nacional · 2024

A mamona completa a lista das dez lideranças. O Nordeste concentra mais de 95% da quantidade produzida no país, segundo o levantamento agrícola da Sudene.

O resultado reforça uma característica presente em vários dos exemplos: determinadas cadeias brasileiras têm sua base produtiva fortemente concentrada no território nordestino.

Fonte: Sudene/PAM-IBGE 2024, via CNN Brasil.

Em dez indicadores, o Nordeste não apenas lidera: supera as outras quatro regiões somadas.

O que essas lideranças revelam

A economia de uma região não cabe num único setor. Os indicadores reunidos mostram um Nordeste que ocupa posições centrais em atividades de energia, alimentação e produção agropecuária.

Também ajudam a fazer perguntas mais úteis sobre desenvolvimento: quanto dessa produção é beneficiado na própria região? Como ampliar o valor que fica com produtores e trabalhadores? Que infraestrutura é necessária para sustentar essas cadeias?

Liderar a quantidade produzida não resolve, por si só, as desigualdades. Mas reconhecer onde está a força produtiva é parte do caminho para discutir investimento, tecnologia e oportunidades com base em fatos.