
A nova Diretoria Executiva da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) tomou posse nesta terça-feira, 9, em Brasília. Entre os dirigentes está o quixadaense José Amílcar de Araújo Silveira, atual presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC). Ele assumiu o cargo de 2º vice-presidente de Secretaria da entidade nacional, ampliando a presença do Ceará nas instâncias de formulação e defesa das políticas rurais no país.
Discurso marca críticas à política econômica
Durante a cerimônia, o presidente da CNA, João Martins, apresentou os eixos que pretende implementar nos próximos quatro anos. Ele fez críticas à condução econômica do governo federal e alertou para os desafios que atingem diretamente a produção rural.
Martins afirmou que o país enfrenta uma nova crise fiscal e atribuiu o cenário ao aumento das despesas governamentais. Em sua análise, as políticas econômicas em vigor prejudicam a atividade rural. No discurso, relembrou que assumiu a presidência da CNA pela primeira vez em 2017 e destacou que o contexto atual exige preparação diferente daquele momento.
Ao tratar dos desafios internacionais, Martins citou disputas comerciais envolvendo Estados Unidos e China, afirmando que o cenário afeta a competitividade brasileira. Ele também mencionou o impacto de fatores ideológicos que, segundo ele, geram insegurança jurídica e pressionam o setor produtivo.
O presidente da CNA reforçou a necessidade de políticas públicas coerentes para enfrentar distorções provocadas por concorrência desleal praticada por outros países. Também defendeu que políticas ambientais considerem populações vulneráveis e questionou modelos climáticos que, em sua visão, desconsideram a realidade dos produtores rurais.
Por que é estratégico para Quixadá e para o Ceará ter Amílcar Silveira na diretoria da CNA
A presença de Amílcar Silveira na Diretoria Executiva da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) representa um avanço relevante para o Ceará e, especialmente, para municípios do Interior como Quixadá. A CNA é a principal entidade nacional responsável por formular diretrizes, negociar pautas e defender os interesses do setor agropecuário junto ao governo federal, ao Congresso Nacional e a organismos internacionais. Estar em sua cúpula significa ter influência direta nos debates que moldam políticas públicas para o campo.
Como presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (FAEC), Amílcar já atua na articulação estadual. Agora, ao assumir a 2ª Vice-Presidência de Secretaria da CNA, ele leva as demandas do Ceará para o centro das decisões nacionais, ampliando a capacidade do estado de disputar recursos, programas estruturantes e marcos regulatórios mais favoráveis às pequenas, médias e grandes cadeias produtivas.
Para regiões como o Sertão Central, onde Quixadá se destaca pela produção de leite, caprinovinocultura, agricultura familiar e investimentos em energias renováveis, a participação de um representante local nas discussões estratégicas da CNA pode facilitar o acesso a políticas de financiamento, inovação tecnológica, regularização fundiária e modernização produtiva. Também fortalece a interlocução com ministérios, frentes parlamentares e autarquias federais responsáveis por crédito, pesquisa agropecuária e infraestrutura hídrica.
A presença de um dirigente cearense na cúpula nacional amplia ainda a visibilidade do Nordeste dentro do setor agropecuário, tradicionalmente liderado por estados das regiões Sul e Centro-Oeste. Isso abre espaço para reivindicar soluções adaptadas à realidade climática do Semiárido, como manejo sustentável da caatinga, ampliação de programas de convivência com a seca e incentivos à produção de alimentos em áreas de baixa disponibilidade hídrica.
Em síntese, o cargo ocupado por Amílcar Silveira coloca o Ceará em posição estratégica nas negociações nacionais do agronegócio e aumenta o peso político de Quixadá em pautas rurais, favorecendo avanços estruturantes e a inclusão das especificidades do Semiárido nas políticas do setor.
Continuidade no comando da entidade
João Martins está à frente da CNA desde 2015, quando assumiu o cargo após a saída da então presidente Kátia Abreu. Em 2017, foi eleito pela primeira vez e, em outubro deste ano, recebeu reeleição unânime das federações para permanecer no comando da instituição até dezembro de 2028.
Autoridades e ausências na cerimônia
A posse reuniu parlamentares, dirigentes de federações rurais e representantes de entidades do setor agropecuário. Entre os presentes estiveram o deputado federal Arthur Lira, ex-presidente da Câmara; o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion; e a senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, convidada para discursar.
O evento também contou com a presença de Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, além de representantes de diversas associações do agronegócio. Do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apenas a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, participou da cerimônia.
Composição da nova Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal
A posse oficializou os seguintes dirigentes:
- 1º vice-presidente: Gedeão Silveira Pereira (RS)
- 2º vice-presidente: Antônio Pitangui de Salvo (MG)
- 1º vice-presidente de Finanças: Humberto Miranda (BA)
- 2º vice-presidente de Finanças: Muni Lourenço Silva Júnior (AM)
- 1º vice-presidente de Secretaria: Marcelo Bertoni (MS)
- 2º vice-presidente de Secretaria: José Amílcar de Araújo Silveira (CE)
- Titulares do Conselho Fiscal: Álvaro Arthur Lopes de Almeida (AL), Paulo Carneiro (TO) e Hélio Dias de Souza (RO)
- Suplentes do Conselho Fiscal: Raimundo Coelho de Souza (MA), Luiz Iraçú Guimarães Colares (AP) e José Álvares Vieira (RN)