A Câmara Municipal de Quixadá aprovou por unanimidade, nesta quinta-feira (4), a entrega da Comenda Adolfo Lopes ao Diário de Quixadá, a mais importante homenagem do Legislativo destinada a profissionais e instituições da comunicação.
A proposição foi apresentada pelo vereador Jackson Perigoso.
Reconhecimento à atuação jornalística
O comunicador Gooldemberg Saraiva, fundador do Diário de Quixadá, será o responsável por receber a honraria em nome do veículo. A iniciativa destaca o papel do site na produção de informação qualificada, no acompanhamento dos temas de interesse público e na ampliação do acesso à notícia para a população de Quixadá e região.

Criado em 2017, o Diário de Quixadá consolidou-se como referência no jornalismo digital do interior do Ceará, alcançando milhões de leitores mensalmente e ampliando o debate público sobre governo, administração, segurança, economia e outros temas sociais.
Histórico da comenda
A Comenda Adolfo Lopes foi instituída em 2013 por iniciativa do então vereador Higor Carlos, após solicitação da Associação de Imprensa do Sertão Central. A honraria homenageia comunicadores que, ao longo de suas trajetórias, prestaram serviços relevantes à sociedade por meio da informação e do compromisso público.
Ao longo dos anos, a Comenda Adolfo Lopes se tornou a distinção mais representativa concedida pela Câmara Municipal a profissionais e instituições que contribuem para o fortalecimento da comunicação local.
Adolfo Lopes da Costa (Quixadá, década de 1920 — 18 de junho de 1997) foi um mecânico e inventor autodidata quixadaense, conhecido pela habilidade em solucionar problemas técnicos complexos mesmo após perder completamente a visão. Tornou-se uma das figuras populares mais lembradas da história recente do Ceará, símbolo de criatividade, superação e engenhosidade.
Nascido em família humilde, Adolfo mudou-se jovem para Fortaleza, onde buscou formação prática em mecânica. Trabalhou nas oficinas da antiga Rede de Viação Cearense (RVC), período em que ampliou seus conhecimentos sobre manutenção de máquinas e motores, ainda pouco difundidos no interior do estado.
Apesar da experiência adquirida, os baixos salários o motivaram a retornar a Quixadá. No município, montou sua própria oficina e rapidamente ganhou destaque pela eficiência e pela capacidade de reparar equipamentos que poucos profissionais dominavam.
Em 1932, aos poucos mais de 20 anos, Adolfo perdeu completamente a visão. O impacto foi imediato: muitos clientes se afastaram, e sua renda caiu drasticamente. Determinado a sobreviver, reinventou-se. Passou a produzir maquetes artesanais e chegou a construir uma representação da cidade de Quixadá, feita a partir de lembranças táteis e memórias espaciais antes da cegueira.
Um dos episódios mais conhecidos de sua trajetória ocorreu em 1935. O padre Luís Rocha havia adquirido, em Recife, o primeiro equipamento de cinema falado da região. Após várias tentativas frustradas do técnico responsável, o sistema não emitia áudio. Como último recurso, o sacerdote chamou Adolfo.
Mesmo cego, e sem ter visto o equipamento, Adolfo analisou a máquina por toque e audição. Ajustou conexões e alinhamentos internos até que o cinema finalmente transmitisse som. O feito lhe rendeu notoriedade e alimentou a reputação de “mestre” da mecânica improvisada.
Outra história que marcou sua vida foi a construção de um rádio de alta potência com peças adquiridas com apoio financeiro de Francisco Pessoa. O aparelho tinha alcance excepcional para a época e, segundo moradores, conseguia captar transmissões internacionais — incluindo a emissora japonesa Rosa de Tóquio durante a Segunda Guerra Mundial.