A megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro, na terça-feira (28), teve criminosos naturais do Ceará entre os alvos, segundo informações obtidas por órgãos de segurança. A ação, considerada a mais letal da história fluminense, resultou em mais de 130 mortes e teve como principal foco a facção Comando Vermelho (CV), que mantém ramificações em diversas cidades cearenses.
Alvos cearenses e estrutura interestadual
Fontes da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) confirmaram que investigados com origem no estado foram identificados nas bases de dados compartilhadas entre as forças de segurança do Rio e do Ceará. Ainda não há confirmação oficial se algum deles está entre os mortos ou presos, mas os nomes constam em listas de inteligência monitoradas há meses pelas autoridades.

A participação de cearenses em atividades do Comando Vermelho no Rio reforça a integração entre núcleos do crime organizado nos dois estados. Segundo investigações, criminosos cearenses atuam na logística de armas, transporte e lavagem de dinheiro, fortalecendo financeiramente o braço fluminense da facção.
Reforço policial e ações preventivas no Ceará
Diante do cenário, a SSPDS determinou reforço no policiamento em pontos estratégicos do Ceará, principalmente em Fortaleza, Região Metropolitana e Sertão Central, regiões onde há histórico de atuação do Comando Vermelho.
As ações foram orientadas por levantamentos da Coordenadoria de Inteligência (Coin), com o objetivo de evitar represálias e movimentações criminosas em resposta à operação no Rio. “O policiamento foi ampliado e segue em alerta máximo, com foco na segurança da população e na estabilidade do estado”, informou a pasta, em nota oficial.
Operação mais letal da história do Rio

A ofensiva realizada nos complexos do Alemão e da Penha mobilizou mais de 2.500 agentes, com apoio de 32 blindados e aeronaves. Durante as incursões, 81 pessoas foram presas e mais de 100 armas apreendidas, entre elas 93 fuzis — um dos maiores arsenais já encontrados em áreas urbanas.
As forças de segurança do Rio afirmam que os alvos integravam o núcleo de comando da facção, responsável por coordenar ataques em vários estados. O governo fluminense classificou a operação como um “duro golpe” contra o crime organizado.
Violência e questionamentos

A ação, porém, gerou intensa repercussão nacional e internacional após moradores denunciarem possíveis execuções. Na manhã desta quarta-feira (29), mais de 60 corpos foram levados por familiares até a Praça São Lucas, no Complexo da Penha, em um ato de protesto. Organizações de direitos humanos pediram intervenção e perícia internacional para apurar as circunstâncias das mortes.
Ceará segue em alerta

Enquanto as investigações avançam no Rio, as forças de segurança cearenses mantêm o monitoramento ininterrupto de possíveis conexões e deslocamentos de integrantes da facção. Até o momento, não houve registros de incidentes ou represálias no estado.
O governo estadual avalia que a cooperação entre os estados será essencial para conter a expansão interestadual das facções criminosas, que vêm consolidando redes de apoio e influência além de suas bases originais.