A megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro, na terça-feira (28), teve criminosos naturais do Ceará entre os alvos, segundo informações obtidas por órgãos de segurança. A ação, considerada a mais letal da história fluminense, resultou em mais de 130 mortes e teve como principal foco a facção Comando Vermelho (CV), que mantém ramificações em diversas cidades cearenses.

Alvos cearenses e estrutura interestadual

Fontes da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) confirmaram que investigados com origem no estado foram identificados nas bases de dados compartilhadas entre as forças de segurança do Rio e do Ceará. Ainda não há confirmação oficial se algum deles está entre os mortos ou presos, mas os nomes constam em listas de inteligência monitoradas há meses pelas autoridades.

Policiais algemam suspeito durante megaoperação — Foto: Mauro Pimentel/AFP

A participação de cearenses em atividades do Comando Vermelho no Rio reforça a integração entre núcleos do crime organizado nos dois estados. Segundo investigações, criminosos cearenses atuam na logística de armas, transporte e lavagem de dinheiro, fortalecendo financeiramente o braço fluminense da facção.

Reforço policial e ações preventivas no Ceará

Diante do cenário, a SSPDS determinou reforço no policiamento em pontos estratégicos do Ceará, principalmente em Fortaleza, Região Metropolitana e Sertão Central, regiões onde há histórico de atuação do Comando Vermelho.

As ações foram orientadas por levantamentos da Coordenadoria de Inteligência (Coin), com o objetivo de evitar represálias e movimentações criminosas em resposta à operação no Rio. “O policiamento foi ampliado e segue em alerta máximo, com foco na segurança da população e na estabilidade do estado”, informou a pasta, em nota oficial.

Operação mais letal da história do Rio

Corpos enfileirados em praça na Penha, zona norte do Rio – Eduardo Anizelli/Folhapress

A ofensiva realizada nos complexos do Alemão e da Penha mobilizou mais de 2.500 agentes, com apoio de 32 blindados e aeronaves. Durante as incursões, 81 pessoas foram presas e mais de 100 armas apreendidas, entre elas 93 fuzis — um dos maiores arsenais já encontrados em áreas urbanas.

As forças de segurança do Rio afirmam que os alvos integravam o núcleo de comando da facção, responsável por coordenar ataques em vários estados. O governo fluminense classificou a operação como um “duro golpe” contra o crime organizado.

Violência e questionamentos

Corpos enfileirados em praça na Penha, zona norte do Rio – Eduardo Anizelli/Folhapress

A ação, porém, gerou intensa repercussão nacional e internacional após moradores denunciarem possíveis execuções. Na manhã desta quarta-feira (29), mais de 60 corpos foram levados por familiares até a Praça São Lucas, no Complexo da Penha, em um ato de protesto. Organizações de direitos humanos pediram intervenção e perícia internacional para apurar as circunstâncias das mortes.

Ceará segue em alerta

Policiamento é reforçado no Ceará após megaoperação no Rio de Janeiro. — Foto: SSPDS/ Divulgação

Enquanto as investigações avançam no Rio, as forças de segurança cearenses mantêm o monitoramento ininterrupto de possíveis conexões e deslocamentos de integrantes da facção. Até o momento, não houve registros de incidentes ou represálias no estado.

O governo estadual avalia que a cooperação entre os estados será essencial para conter a expansão interestadual das facções criminosas, que vêm consolidando redes de apoio e influência além de suas bases originais.