O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou um novo capítulo na Câmara dos Deputados, com a apresentação de uma emenda que tenta vincular a redução da jornada de trabalho a um conjunto amplo de compensações fiscais e trabalhistas para empresas.

O texto foi apresentado pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS) e recebeu 176 assinaturas, número suficiente para tramitar como sugestão dentro da Proposta de Emenda à Constituição que discute a redução da jornada semanal. Para apresentar emendas a PECs, são necessárias pelo menos 171 assinaturas. 

Deputados federais do Ceará que assinaram a emenda

Parlamentar Partido/UF
Dep. Fernanda Pessoa PSD-CE
Dep. AJ Albuquerque PP-CE
Dep. Danilo Forte PP-CE
Dep. Dr. Jaziel PL-CE
Dep. Eunício Oliveira MDB-CE
Dep. Luiz Gastão PSD-CE

A proposta prevê três medidas centrais de alívio para o setor produtivo.

A primeira é a redução do recolhimento do FGTS pago pelas empresas. Hoje, os empregadores depositam 8% do salário do trabalhador no Fundo de Garantia. Pela emenda, esse percentual cairia para 4%, ou seja, seria reduzido pela metade. 

A segunda medida é a isenção temporária da contribuição patronal ao INSS para novos empregados contratados depois da eventual redução da jornada. Atualmente, essa contribuição corresponde a cerca de 20% sobre o salário. 

A terceira é a criação de mecanismos de compensação tributária. Empresas poderiam descontar despesas com novos postos de trabalho da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Já empresas do Simples Nacional e do Lucro Presumido que criarem empregos receberiam créditos tributários equivalentes para compensar custos com novas contratações. 

Mas a emenda vai além dos benefícios fiscais.

Transição de 10 anos

O texto estabelece uma transição de 10 anos para que a redução da jornada entre em vigor. Isso significa que, mesmo que a PEC seja aprovada, a mudança não teria aplicação imediata.

Além disso, a redução ficaria condicionada ao cumprimento de metas nacionais de produtividade, a serem verificadas por um órgão oficial de estatística. O documento, porém, não especifica quais seriam essas metas.

Há outro ponto sensível.

A emenda abre possibilidade para uso de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o FAT, na criação de programas de apoio financeiro, subsídios ou consultorias para empresas reorganizarem seus turnos de trabalho. Hoje, o FAT financia principalmente o seguro-desemprego e o abono salarial. 

O texto também condiciona a redução para 40 horas semanais à aprovação de projetos de lei complementar com regras específicas para categorias que já possuem jornadas diferenciadas, como saúde e segurança.

Outro trecho permite que acordos e convenções coletivas prevaleçam sobre a legislação em temas como banco de horas, escalas de revezamento e intervalos.

A emenda também blinda setores considerados essenciais. Áreas cuja interrupção possa comprometer vida, saúde, segurança, mobilidade, abastecimento ou infraestruturas críticas manteriam a jornada máxima atual de 44 horas semanais. Esses setores seriam definidos posteriormente por lei complementar.

O relator da proposta, Leo Prates (Republicanos-BA), deve analisar as emendas apresentadas antes da apresentação do relatório na comissão especial.

A discussão coloca em lados opostos diferentes preocupações.

De um lado, defensores do fim da escala 6×1 argumentam que a mudança pode melhorar qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre trabalho e descanso.

De outro, setores empresariais e parlamentares que assinaram a emenda afirmam que a redução da jornada precisa vir acompanhada de compensações para evitar aumento de custos, demissões ou fechamento de empresas.

No Ceará, a assinatura dos seis deputados federais coloca representantes do estado no centro de um debate nacional que envolve direitos trabalhistas, arrecadação previdenciária, FGTS, produtividade e impacto econômico para empresas.

CONFIRA O TEXTO DA EMENDA:

CONFIRA A LISTA DOS 176 DEPUTADOS QUE ASSINARAM: