O Ceará vive, em 2026, a segunda pior pré-estação chuvosa já registrada em volume de precipitações. Os dados foram divulgados nesta semana pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos e indicam um cenário preocupante às vésperas da quadra chuvosa principal do estado. A pior pré-estação da série histórica ocorreu em 1982, há 44 anos.

A pré-estação chuvosa no Ceará compreende os meses de dezembro e janeiro e funciona como uma fase de transição para a quadra chuvosa, que se estende de fevereiro a maio. Tradicionalmente, esse período antecipa tendências importantes para o regime de chuvas do ano. Em 2026, no entanto, os volumes ficaram muito abaixo do esperado em praticamente todo o território cearense.

Em janeiro, o acumulado médio de chuvas no estado chegou a apenas 10 milímetros, enquanto a média histórica para o mês é de aproximadamente 100 milímetros. Os registros de dezembro também ficaram abaixo do normal, contribuindo para o resultado negativo da pré-estação.

Diante desse cenário, a Funceme divulgou o prognóstico climático para o trimestre de fevereiro, março e abril. A previsão aponta 40% de probabilidade de chuvas abaixo da média, 40% de probabilidade de chuvas dentro da normalidade e apenas 20% de chance de precipitações acima da média histórica.

O quadro gera preocupação adicional por causa da situação dos reservatórios cearenses. Segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos, o volume armazenado atualmente gira em torno de 38% da capacidade total. Caso as chuvas fiquem abaixo do esperado nos próximos meses, o cenário hídrico pode se agravar, com impactos diretos no abastecimento humano, na agricultura e em setores dependentes dos recursos hídricos.

A Funceme informou que seguirá monitorando as condições atmosféricas e reforçou que o comportamento da quadra chuvosa principal será determinante para definir a situação hídrica do Ceará ao longo de 2026.