O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu mirar diretamente em um dos setores mais importantes da economia brasileira: o etanol. Em meio às tensões comerciais entre Brasil e EUA, Trump passou a pressionar o governo brasileiro para retirar a tarifa de 18% que hoje é cobrada sobre o etanol americano. Essa barreira garante que o produto feito de milho nos Estados Unidos não prejudique o etanol brasileiro, produzido majoritariamente da cana-de-açúcar e considerado menos poluente.

Caso o Brasil aceite a exigência de Trump, a medida abriria as portas para uma enxurrada de etanol americano no mercado nacional, o que poderia colocar em risco uma cadeia produtiva que emprega mais de 2,2 milhões de pessoas em todo o país.

O que está em jogo

O etanol brasileiro é resultado de mais de 50 anos de investimentos em inovação e sustentabilidade. Ele é um dos principais responsáveis pela redução de emissões de gases poluentes no Brasil. Desde 2003, a utilização do combustível evitou a emissão de mais de 730 milhões de toneladas de CO₂.

Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o Brasil produziu 36,8 bilhões de litros de etanol em 2024, tornando-se o segundo maior produtor do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Além do impacto ambiental positivo, a cadeia do etanol movimenta a economia de mais de 1.200 municípios e sustenta milhares de famílias, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste.

Governo brasileiro diz não

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já avisou que não pretende abrir mão da tarifa. O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmaram que a proteção é necessária para evitar prejuízos graves ao setor. “As taxas do etanol têm que ser mantidas. Isso protege a produção nacional, especialmente no Nordeste”, disse Silveira.

Senadores brasileiros também estão em Washington tentando negociar com autoridades e empresários americanos. O objetivo é evitar que o Brasil seja ainda mais prejudicado com a tarifa de 50% que Trump impôs sobre diversos produtos brasileiros, e que deve começar a valer no dia 1º de agosto.

Por que isso importa?

Se a pressão dos EUA der certo, o etanol brasileiro – considerado mais limpo e eficiente – pode perder espaço no próprio mercado interno. Isso significaria desemprego, fechamento de usinas e retrocesso na política ambiental do país.

Para especialistas, a disputa mostra que os EUA tentam usar a pressão comercial para enfraquecer setores estratégicos do Brasil, assim como fizeram com o Pix, outra inovação brasileira que incomoda Washington.

Agora, o desafio do governo brasileiro é resistir à pressão americana e, ao mesmo tempo, encontrar soluções para proteger empregos, o meio ambiente e a economia.