O senador Marcos do Val, afastado do mandato desde setembro para tratamento de saúde, voltou a gerar repercussão após afirmar que autoridades dos Estados Unidos teriam prometido “tirar Jair Bolsonaro da prisão” e “recolocá-lo na presidência”. A declaração foi publicada nas redes sociais do parlamentar, que retomou parcialmente suas atividades digitais após acordo estabelecido entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal (veja vídeo no final desta reportagem).

A fala foi divulgada sem qualquer evidência, em um contexto em que do Val é investigado pelo STF por supostamente promover uma campanha de intimidação contra policiais federais responsáveis por investigações em curso na Corte. Ele também é investigado por participação em um plano para anular o resultado das eleições de 2022.

Investigação e restrições judiciais

Marcos do Val segue afastado do cargo e responde a procedimentos que envolvem descumprimento de medidas impostas pelo Supremo. Ele chegou a viajar para os Estados Unidos mesmo estando proibido de deixar o país, o que levou o STF a determinar o uso de tornozeleira eletrônica e o bloqueio de suas contas bancárias.

Posteriormente, um acordo mediado pelo Senado permitiu a flexibilização parcial das restrições. O parlamentar recuperou o acesso às contas e aos vencimentos e voltou a usar suas redes sociais, desde que não faça ataques ao Estado Democrático de Direito. A proibição de sair do Brasil, porém, foi mantida.

Declaração sem evidências

A afirmação de que os EUA atuariam para libertar Bolsonaro e recolocá-lo na Presidência foi classificada por especialistas ouvidos por diferentes veículos como incompatível com a política externa americana e sem sustentação factual.

Marcos do Val não apresentou provas de sua alegação. O episódio se soma a outras declarações controversas feitas por ele desde o início das investigações.