O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a tensionar os bastidores do Congresso ao se manifestar publicamente contra a possibilidade de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ser excluído da proposta de anistia em discussão no Legislativo. A declaração ocorreu após a divulgação de informações sobre uma possível versão do projeto que beneficiaria os demais envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, mas deixaria Bolsonaro de fora.
Segundo reportagem da CNN Brasil, a exclusão de Bolsonaro vem sendo defendida por uma ala do próprio PL, além de setores do Senado Federal, como alternativa para destravar as negociações em torno da proposta. O objetivo seria convencer o ex-presidente a abrir mão do benefício em favor dos demais condenados ou investigados, em meio ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do chamado “núcleo 1” do suposto plano de golpe após as eleições de 2022.

Eduardo eleva o tom e rejeita exclusões
Em postagem nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro reagiu com dureza. Ele afirmou que qualquer proposta de anistia que não seja “ampla e irrestrita” será rejeitada pela base bolsonarista e insinuou que há uma tentativa de chantagem política contra o ex-presidente.
“Eu sei que vocês querem tirar meu pai da anistia para poder chantagear ele e forçá-lo a escolher o candidato que vocês querem emplacar. Qualquer anistia que não seja ampla e irrestrita não será aceita”, escreveu o deputado.
Eduardo ainda alertou que apresentará o tema à bancada do PL e sugeriu que, sem Jair Bolsonaro incluído, a medida não teria respaldo da direita nem capacidade de reduzir pressões internacionais. Segundo ele, “planos escusos” para enfraquecer a influência do ex-presidente não vão prosperar.
Disputas internas e divergências no PL
Embora Jair Bolsonaro tenha sinalizado anteriormente que não exigiria sua inclusão na anistia, a movimentação de Eduardo no exterior, incluindo carta enviada ao governo dos Estados Unidos, reforça a pressão interna pela inclusão do ex-presidente.

Dentro do PL, o clima é de incerteza. Parte da sigla considera viável convencer Bolsonaro a abrir mão do perdão, mas avalia como mais difícil conter os efeitos da ofensiva internacional liderada por seu filho. Interlocutores do partido indicam que há registros de conversas entre pai e filho sobre o tema.
Negociações continuam no Congresso
Nos bastidores, as articulações continuam intensas. Reuniões com integrantes do Centrão e aliados estratégicos ocorrem diariamente, com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais aliados de Bolsonaro.
O governo federal acompanha de perto os desdobramentos, enquanto parte da oposição defende que o projeto de anistia avance com ou sem Jair Bolsonaro. A exclusão do ex-presidente, no entanto, se tornou um ponto de ruptura que ameaça a coesão da direita e evidencia o impasse para construir uma proposta consensual.
A proposta de anistia ainda não foi protocolada oficialmente, mas já provoca disputas dentro do Congresso, pressões externas e acirramento do embate político, revelando os desafios em torno de uma das pautas mais sensíveis da atual legislatura.