
O governo dos Estados Unidos decidiu cobrar uma tarifa extra de 40% sobre quase todos os produtos que o Brasil vende para lá. A medida, que começou a valer de forma imediata, afeta principalmente dois setores que ofereceram forte apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro: o agronegócio e a indústria de defesa.
O que são essas tarifas e por que elas importam
Quando um país coloca uma tarifa em produtos importados, significa que quem compra vai pagar mais caro para receber aquele item. No caso do Brasil, isso deixa nossos produtos menos competitivos e pode fazer com que os clientes dos EUA escolham comprar de outro país ou do próprio mercado americano.
O decreto assinado pelo presidente Donald Trump excluiu da cobrança quase 700 produtos, como alguns tipos de minérios, combustíveis, polpa de madeira, castanha-do-Brasil, metais preciosos e peças de aviões civis. Esses itens são estratégicos para a economia americana ou têm baixa concorrência.
Todos os outros produtos de alto valor agregado, bens industrializados e alimentos ficaram na lista da sobretaxa.
Como o agronegócio será afetado
O impacto no campo será grande. Soja, carnes, café, açúcar, etanol e sucos concentrados vão pagar mais para entrar nos Estados Unidos. Isso encarece o preço final e pode fazer o Brasil perder espaço para produtores americanos. Todos esses produtos do Brasil ficarão mais caros por lá e, possivelmente, mais baratos aqui.
A Abiec, que reúne exportadores de carne como JBS e Marfrig, calcula perdas de até US$ 1 bilhão. Já a CNA estima prejuízo de US$ 481 milhões apenas para o setor cafeeiro. Contratos antigos podem ser revistos, e vendas futuras ficam em risco.
Indústria de defesa na mira
O setor de armas e equipamentos militares também sofreu. Armas, munições e explosivos entraram na lista tarifada, deixando isentas apenas aeronaves civis e suas peças. Para empresas brasileiras como a Taurus, maior fabricante de armas do país, o impacto é tão grande que o presidente da companhia, Salesio Nuhs, já cogita transferir parte da produção para os EUA para escapar das tarifas.
Peso político e desafio para o Brasil
A sobretaxa atinge dois setores historicamente alinhados a Bolsonaro, que tiveram benefícios durante seu governo, como menos restrições ambientais para o campo e regras mais flexíveis para armas. Agora, esses segmentos enfrentam barreiras comerciais pesadas, que podem gerar perdas bilionárias e desemprego. Curiosamente, as medidas foram articuladas por agentes da família Bolsonaro, e os EUA até citaram o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no decreto tarifário.
Para o governo brasileiro, o desafio é tentar negociar novas isenções com Washington e abrir novos mercados para não depender tanto dos Estados Unidos. Caso contrário, a economia do país – principalmente aquela que mais apoiou Bolsonaro – pode sentir os efeitos do tarifaço por muito tempo.