O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), afirmou que o estado precisará ampliar o número de vagas no sistema prisional para sustentar a política de enfrentamento às facções criminosas. A declaração foi dada durante entrevista ao Bom Dia Ceará, da TV Verdes Mares, nesta segunda-feira (15), ao comentar os resultados e os próximos passos da segurança pública no estado.
Aumento de prisões e preocupação com brechas legais
Elmano destacou o crescimento nas ações policiais em 2025, com aumento de 96,4% nas prisões de integrantes de facções e mais de 35% nas prisões por homicídio. Segundo o governador, o número de pessoas presas no Ceará passou de 21 mil para 25 mil.

Apesar dos dados, ele apontou preocupação com brechas na legislação. Como exemplo, citou situações em que faccionados ameaçam moradores ou comerciantes para expulsá-los de áreas dominadas pelo crime. “Hoje a lei trata isso como crime de ameaça, e o delegado só pode abrir inquérito se houver denúncia. A pessoa não denuncia por medo”, afirmou.
O governador defendeu a aprovação do projeto de lei anti-facções apresentado pelo governo federal, que prevê penas de 10 a 20 anos para integrantes dessas organizações.
Ampliação do sistema prisional
Elmano afirmou que o governo estadual já trabalha para acelerar a criação de novas vagas no sistema penitenciário. Segundo ele, está em articulação um mutirão com o Poder Judiciário e o Ministério Público para viabilizar, de forma célere, ao menos 4 mil novas vagas.
“Eu sei que nós vamos precisar de mais vagas no presídio, porque eu quero colocar todos na cadeia”, disse.
Controle da comunicação nos presídios
O governador também comentou medidas adotadas para impedir que ordens criminosas saiam das unidades prisionais. Ele citou a retirada de tomadas nas celas, o uso de equipamentos para impedir a entrada de celulares e a fiscalização rigorosa sobre possíveis casos de corrupção ou coação de servidores.
Elmano mencionou ainda decisão recente do Tribunal de Justiça do Ceará que autorizou a gravação de conversas entre presos e advogados no Presídio de Segurança Máxima, em situações específicas. Segundo ele, a medida busca coibir o uso indevido das visitas para transmissão de ordens criminosas.
Para o governador, o sistema prisional cearense está sob controle do Estado. “Não existe no Ceará presídio controlado por facção. Quem controla o sistema prisional é o Estado”, afirmou.
Atuação federal e combate financeiro ao crime
Durante a entrevista, Elmano defendeu maior participação do governo federal no enfrentamento ao crime organizado. Ele citou operações da Polícia Federal, ações da Receita Federal e a necessidade de ampliar investigações financeiras para sufocar economicamente as facções.
O governador informou que já foram bloqueados R$ 2,2 bilhões ligados ao crime organizado no Ceará, com apoio do Judiciário, e defendeu o fortalecimento das forças integradas de combate ao crime. Elmano também afirmou estar em negociação para a instalação de uma superintendência da Polícia Federal em Sobral, como forma de reforçar a atuação no interior do estado.