O governo federal revisou para baixo a previsão do salário mínimo de 2026, que agora está estimado em R$ 1.627. O valor ficou quatro reais abaixo do número divulgado anteriormente e reflete a atualização da expectativa de inflação deste ano. Apesar do recuo, o piso deverá subir em relação aos atuais R$ 1.518, mantendo a política de valorização com aumento acima da inflação.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, comunicou a revisão ao presidente da Comissão Mista de Orçamento, senador Efraim Filho. O novo valor considera a previsão atualizada do INPC e as regras do arcabouço fiscal, que impõem um teto ao ganho real do salário mínimo.

Revisão das projeções
Além do valor estimado para 2026, o governo também atualizou a projeção dos anos seguintes. As estimativas agora indicam salário mínimo de R$ 1.721 em 2027, R$ 1.819 em 2028 e R$ 1.903 em 2029. Todos os números são ligeiramente menores que os previstos na proposta orçamentária enviada ao Congresso.
A política de valorização do piso nacional considera a inflação medida pelo INPC e o crescimento do PIB de dois anos antes. Como a economia cresceu 3,4% em 2024, o ganho real poderia ser maior, mas o arcabouço fiscal limita esse avanço a 2,5% como forma de conter o aumento de despesas obrigatórias.
Impacto nas contas públicas
O salário mínimo é referência para uma série de benefícios, como aposentadorias do INSS e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Por isso, ajustes de poucos reais podem gerar impacto significativo no orçamento federal. A definição final do valor depende do índice oficial de inflação de novembro, que será divulgado em 10 de dezembro.
Com o dado consolidado, o governo poderá fechar o valor exato do piso de 2026 e ajustar a programação orçamentária, calculando o impacto sobre os gastos previdenciários e assistenciais.