Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, e Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, declararam guerra ao governo Lula. Essa é a avaliação que fazem observadores em Brasília. Nesta segunda (24), ambos declararam publicamente rompimento com as lideranças do governo nas duas casas.

A soma dos episódios acendeu um alerta no governo Lula sobre a fragilidade da articulação política em um momento sensível — com o fim do ano legislativo se aproximando e pautas importantes pendentes de votação.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

No Senado, Alcolumbre articula a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF, feita por Lula. Ele queria impor o nome do seu amigo, senador Rodrigo Pacheco. Alcolumbre também abriu pautas que tendem a retirar bilhões de reais dos cofres públicos para dificultar o orçamento federal.

Na Câmara, Motta age para beneficiar a oposição, e pode votar anistia a Bolsonaro ainda neste semana, bem como colocar em pauta pautas difíceis para o governo. Recentemente, Hugo Motta tomou o projeto de segurança do governo e entregou a Guilherme Derrite, secretário do principal opositor do PT, Tarcísio de Freitas (PL). Como resultado, o enfraquecimento da Polícia Federal, com milhões de reais saindo do orçamento da corporação.

O foco dos dois, segundo analistas, é minar a popularidade de Lula e dificultar a vida do governo. A soma dos episódios reforça um ambiente de instabilidade no Congresso. Com o avanço do final do ano e a proximidade de votações decisivas, integrantes do governo avaliam que o Planalto precisará reconstruir alianças e recuperar espaço nas duas casas para evitar derrotas estratégicas.