A percepção política entre investidores e analistas do mercado financeiro brasileiro sofreu uma mudança significativa nas últimas semanas. De acordo com o jornalista Guilherme Amado, do site PlatôBR, a chamada “Faria Lima” — principal centro financeiro do país — já considera viável a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições de 2026.
A avaliação reflete o desgaste do bolsonarismo, o fortalecimento das relações internacionais do governo e o avanço de Lula sobre o eleitorado evangélico, tradicionalmente mais alinhado à direita.

Mudança de percepção no mercado
Segundo a apuração do jornalista, executivos, banqueiros e investidores passaram a adotar uma leitura mais estável do cenário político, reduzindo a expectativa de surgimento de um nome competitivo da direita. A queda de popularidade do ex-presidente Jair Bolsonaro e as divisões internas no campo conservador são apontadas como fatores centrais dessa reavaliação.
Para o mercado, Lula conseguiu consolidar liderança e abrir vantagem suficiente para tornar possível uma vitória antecipada, caso o quadro político continue evoluindo da forma atual.
Reaproximação internacional e distensão com os EUA
A melhora nas relações externas também é vista como elemento determinante para o otimismo recente. Em meio a tensões diplomáticas, Lula adotou um discurso de soberania nacional que repercutiu bem em organismos internacionais e elevou sua credibilidade política.

Durante a Assembleia Geral da ONU, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter “química excelente” com Lula. Segundo o site PlatôBR, os dois conversaram por telefone e alinharam uma reunião entre os chanceleres de ambos os países. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, recebeu o chanceler Mauro Vieira em Washington, em encontro considerado cordial — gesto que foi interpretado como sinal de trégua diplomática.
Apesar da manutenção das tarifas impostas pelos EUA e da permanência do ministro Alexandre de Moraes na lista da Lei Magnitsky, a redução das tensões é vista como um avanço.
Diálogo com evangélicos e movimento político
Outro fator observado com atenção pelos investidores é a aproximação do governo com o segmento evangélico. Lula tem mantido reuniões com lideranças religiosas e foi fotografado orando com membros da bancada evangélica e o advogado-geral da União, Jorge Messias, cotado para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Se confirmada, sua indicação representaria a primeira nomeação de um ministro evangélico para a Corte, um gesto simbólico que reforça o esforço do governo em reduzir resistências dentro desse grupo.
Fragmentação da direita
Enquanto Lula amplia seus espaços, o campo da direita enfrenta desorganização. Jair Bolsonaro, condenado e impedido de concorrer, perdeu capacidade de articulação. Eduardo Bolsonaro enfrenta isolamento político, e nomes como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ratinho Júnior (PSD) ainda não conseguiram consolidar uma alternativa.
A soma desses fatores — crise do bolsonarismo, reaproximação internacional, diálogo com evangélicos e ausência de unidade na oposição — explica a nova leitura do mercado financeiro, que passou a considerar real a hipótese de vitória de Lula já no primeiro turno.