
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou nesta quarta-feira (6) que o aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros não representa um risco devastador para a economia nacional. Segundo ele, o governo Lula já trabalha para mitigar os efeitos do tarifaço por meio da diversificação de mercados e investimentos externos.
A declaração foi dada em entrevista à rádio Princesa FM, de Feira de Santana (BA), após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar a aplicação de tarifas de até 50% sobre diversas exportações brasileiras. Entre os produtos que continuarão sendo taxados estão carne, frutas e café — todos fora da lista dos 694 itens isentos.
Para o ministro, o impacto da medida deve ser limitado. “O impacto é importante, mas ele não é devastador para a economia nacional”, afirmou. Ele explicou que, com a redução da demanda dos EUA, é possível que parte da produção fique no mercado interno, o que pode provocar uma queda nos preços ao consumidor brasileiro.
Estratégia de diversificação para enfrentar barreiras
Rui Costa destacou que o Brasil está em um momento diferente daquele de 15 ou 20 anos atrás, quando mais de 25% das exportações eram destinadas aos EUA. Atualmente, esse número é de apenas 12%, o que, segundo ele, permite ao país realocar produtos com mais agilidade para mercados como China e Índia.
“Estamos intensificando essa diversificação de investimentos, buscando comprar e vender produtos, trazer investidores de países diferentes para que o Brasil não fique dependente de país nenhum”, afirmou.
A expectativa do governo é que a demanda reprimida dos Estados Unidos possa ser absorvida por outros parceiros comerciais e, ao mesmo tempo, provocar uma reacomodação de preços internamente, sobretudo nos setores de alimentos.
Café e carne: os mais afetados
O tarifaço afeta diretamente setores que vinham em forte crescimento. Segundo a ApexBrasil, as exportações de carne bovina brasileira para os EUA cresceram 58% em volume nos nove primeiros meses de 2024, atingindo 147 mil toneladas. Em valor, somaram US$ 867,4 milhões, aumento de 48,7% em relação ao ano anterior.
No setor cafeeiro, o impacto é ainda mais sensível. Segundo a Embrapa, o Brasil exportou 46,1 milhões de sacas de café ao longo de 2024 — um salto de 30,6% em relação a 2023. Os EUA foram o maior comprador individual, com 7,6 milhões de sacas, um crescimento de 40,7%.
Razões políticas em meio a tensões diplomáticas
A decisão de Donald Trump, além do caráter econômico, tem peso político. O presidente norte-americano mencionou como uma das motivações para a medida a investigação do plano golpista atribuído a Jair Bolsonaro — atualmente réu e em prisão domiciliar. O ex-presidente brasileiro se tornou um elemento de atrito nas relações bilaterais.
Apesar das tensões, os governos de Trump e Lula mantêm diálogo na tentativa de negociar uma solução diplomática que alivie os danos comerciais provocados pelas novas tarifas.
Exportações seguem resilientes
Mesmo diante de novas barreiras, os números do comércio bilateral seguem expressivos. Dados da Amcham Brasil mostram que, em 2024, o Brasil exportou US$ 40,3 bilhões em produtos para os Estados Unidos, um aumento de 9,2% em relação ao ano anterior. O volume físico atingiu 40,7 milhões de toneladas — alta de 9,9%.
Entre os produtos que permanecem isentos da nova tarifação estão suco de laranja, minérios, fertilizantes, aeronaves civis, celulose, combustíveis e metais preciosos — setores considerados estratégicos para a indústria americana.