Saúde · Vacinação na gravidez

Resistência às vacinas contra gripe e covid coloca gestantes em risco

Imunizantes aplicados na gravidez são eficazes e seguros

Reportagem original: Tâmara Freire / Agência Brasil · Rio de Janeiro · 29 de setembro de 2026, 17h42 · Adaptação para o DQ Notícias

A gestante Raissa Raiana de Oliveira fala sobre vacinação no Rio de Janeiro
Raissa Raiana de Oliveira fala sobre vacinação durante a gravidez, no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

A vacinação contra gripe e covid-19 faz parte da proteção oferecida no pré-natal. Mesmo assim, a cobertura entre gestantes segue aquém da meta de 90%, segundo dados do Ministério da Saúde obtidos pela Agência Brasil.

Em 2025, 55% das grávidas receberam a vacina contra covid-19. Para influenza, a cobertura foi de 63% nas regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste. Os números preliminares de 2026 apontam 55% para covid-19 e 76% para gripe, esta última também sem a região Norte.

Gráfico com coberturas preliminares de 2026: covid-19 55%, influenza 76% exceto região Norte, dTpa 88% e VSR 86%; dados apurados até 10 de setembro
Coberturas preliminares em 2026, apuradas até 10 de setembro. Fonte dos dados: Ministério da Saúde. Arte: EBC/Agência Brasil.

O impacto das infecções respiratórias

De 2023 até o início de agosto de 2026, o Ministério da Saúde contabilizou ao menos 286 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por influenza em gestantes ou puérperas, com 25 mortes. No mesmo intervalo, a covid-19 respondeu por pelo menos 205 casos graves e 21 mortes, conforme os dados reunidos para a reportagem.

Casos graves em gestantes e puérperas

Brasil · 2023 ao início de agosto de 2026
InfecçãoSRAGMortes
Influenza28625
Covid-1920521

Números mínimos informados pelo Ministério da Saúde à Agência Brasil. Eles não identificam, por si só, a situação vacinal de cada paciente.

Nos anos de 2020 a 2022, período que abrange a fase mais crítica da pandemia, a covid-19 provocou 3.547 registros de SRAG e 811 mortes nesse grupo. Os dois intervalos retratam contextos diferentes e não devem ser lidos como uma comparação direta.

Flávia Bravo, da Sociedade Brasileira de Imunizações, relaciona a baixa procura por vacinas à subestimação da gripe e à desinformação sobre a vacinação contra covid-19. A reportagem também apresenta uma análise de registros brasileiros segundo a qual os casos mensais de SRAG e a mortalidade entre gestantes e puérperas diminuíram após o início da vacinação.

Nataly Saldanha é atendida pela médica Catarina Jatobá em uma Clínica da Família no centro do Rio de Janeiro
Nataly Saldanha e a médica Catarina Jatobá durante o pré-natal no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil.

Quais vacinas entram no pré-natal?

Além de influenza e covid-19, o SUS oferece às gestantes as vacinas contra hepatite B, difteria e tétano (dT), difteria, tétano e coqueluche (dTpa) e vírus sincicial respiratório (VSR). O esquema depende da idade gestacional e do histórico de doses; a equipe de saúde deve conferir a caderneta em cada consulta.

Quadro de vacinação na gestação: hepatite B, dT, influenza e covid-19; dTpa a partir da 20ª semana; VSR a partir da 28ª semana. O histórico vacinal deve ser avaliado pela equipe de saúde
Resumo do calendário da gestante. Fonte: Ministério da Saúde. Arte: EBC/Agência Brasil. Confira o esquema individual na unidade de saúde.

A imunização materna também pode proteger o bebê nos primeiros meses de vida, antes que ele complete os esquemas previstos para sua idade. A reportagem chama atenção para o risco de gripe, covid-19, VSR e coqueluche em recém-nascidos e crianças pequenas.

Até 19 de setembro de 2026, os registros citados pela Agência Brasil somavam quase 4 mil casos graves de influenza e 55 mortes em menores de 2 anos; para covid-19, eram 808 casos graves e 18 mortes nessa faixa etária. São dados de vigilância sobre doenças, não uma contagem de eventos causados pela vacinação.

A cobertura de dTpa entre gestantes chegou a 94% em 2025 e estava em 88% nos dados preliminares de 2026. Essa vacina ajuda a proteger contra a coqueluche, especialmente importante antes que o bebê complete suas próprias doses.

Raissa Raiana de Oliveira durante entrevista sobre vacinação na gestação
Raissa Raiana de Oliveira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.
Nataly Saldanha durante atendimento de pré-natal em uma Clínica da Família
Nataly Saldanha durante o pré-natal. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil.

Orientação na consulta faz diferença

Na Clínica da Família onde Nataly faz o pré-natal, a médica Catarina Jatobá relata que a equipe confere a caderneta desde a primeira consulta e encaminha as gestantes à sala de vacinação quando há doses pendentes. Agentes comunitários também ajudam a lembrar os prazos e a esclarecer dúvidas.

Em caso de incerteza sobre vacinas já recebidas ou sobre o momento adequado para cada dose, a recomendação prática é levar a caderneta à equipe do pré-natal e consultar o Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde.

Fonte: reportagem de Tâmara Freire para a Agência Brasil, publicada em 29/09/2026. Texto adaptado e condensado para o DQ Notícias; fotografias e artes creditadas nas legendas.

Dados de 2026 preliminares. Informações gerais de saúde não substituem a avaliação da equipe que acompanha a gestação.