Especial DQ Notícias · Amazônia
O menor desmatamento em 41 anos
A Amazônia registrou em 2025 a menor área desmatada da série do MapBiomas. O avanço é importante. A dimensão do que ainda se perde também.
Foram 693 mil hectares de vegetação derrubada em um ano. O resultado é o mais baixo do levantamento que acompanha as transformações do bioma desde 1985.
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01 · O tamanho da perda
A derrubada diminuiu. Não parou.
Os 693 mil hectares equivalem a 6.930 quilômetros quadrados. É como juntar 6.930 quadrados de um quilômetro de lado: toda essa extensão perdeu vegetação em 2025.
Essa categoria reúne a vegetação sem desmatamento anterior identificado na série. A vegetação secundária é aquela que voltou a crescer depois de uma remoção.
A arara ilustrada acompanha sua leitura. Ilustração editorial: DQ Notícias.
1 hectare corresponde a 10 mil metros quadrados. Os números se referem a 2025, não ao acumulado dos 41 anos.
02 · A pressão sobre o verde
Onde a floresta dá lugar a outros usos
A agropecuária ocupava 65,3 milhões de hectares da Amazônia em 2025: 15,5% do bioma. A maior parcela era de pastagens, com 50,8 milhões de hectares.
As estradas ajudam a entender a distribuição dessa ocupação. Na faixa de até cinco quilômetros das vias mapeadas, a agropecuária ocupava 40,2% do território.
A pressão também cresce ao redor de terras indígenas, unidades de conservação e territórios quilombolas. A atividade agropecuária já ocupava cerca de 31% dessas áreas de entorno.
Entorno não é interior: dentro dos territórios protegidos, a vegetação nativa respondia por 98% da cobertura.
A mineração também avançou: passou de 32 mil hectares, em 1985, para 440 mil em 2025 — quase 14 vezes a área inicial.
Explore os números: passe o mouse, use o teclado ou toque para revelar.
40,2% Nas proximidades das estradas
Participação da agropecuária na faixa de até cinco quilômetros das vias mapeadas. O percentual se refere a esse recorte, não à Amazônia inteira.
31% Ao redor das áreas protegidas
Parcela aproximada do entorno ocupada pela agropecuária em 2025. É uma medida da pressão nas bordas desses territórios.
98% Dentro das áreas protegidas
Proporção coberta por vegetação nativa nesses territórios. O dado considera terras indígenas, unidades de conservação e territórios quilombolas.
03 · O que fica para o futuro
Um ano melhor não apaga quatro décadas
Entre 1985 e 2025, a Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa. A redução recente do desmatamento desacelera a perda; não devolve automaticamente a mata que desapareceu.
“As áreas protegidas desempenham um papel fundamental na conservação do bioma” Ives Brandão, da equipe da Amazônia do MapBiomas.
O resultado de 2025 é uma boa notícia para a floresta. Mantê-la em pé exige que a queda continue nos próximos anos, enquanto a pressão nas bordas dos territórios protegidos permanece.
Fontes, método e fotografias
Os dados são da Coleção 11 do MapBiomas, com mapas anuais de cobertura e uso da terra entre 1985 e 2025. O levantamento também cruza o mapeamento com bases de estradas do DNIT e do OpenStreetMap.
Leia a reportagem da Agência Brasil.
Consulte os resultados e a análise do MapBiomas.
Fotografias: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil; Leonardo Milano/ICMBio; Ascom/Ibama. As paisagens ilustram a reportagem e não representam, por si, o desmatamento ocorrido em 2025 em cada local fotografado.