Quatro pessoas foram resgatadas pela polícia após serem mantidas em cárcere privado sob condições consideradas extremas em uma casa abandonada no bairro José de Alencar, em Fortaleza, na tarde deste domingo (8). O local funcionava, segundo a investigação, como um ponto de dominação e punição imposto por um grupo criminoso.

A operação foi desencadeada após informações indicarem que pessoas estavam sendo mantidas sob grave ameaça em um imóvel na Rua Elizeu Oriá. Durante o cerco realizado por equipes do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas, dois suspeitos tentaram fugir por um terreno vizinho, mas foram capturados em diferentes pontos do bairro.

Enquanto a área era isolada, policiais ouviram pedidos insistentes de socorro vindos de uma residência próxima ao muro do terreno. Ao entrarem no imóvel, os agentes encontraram quatro pessoas em estado de extremo sofrimento físico e psicológico, com sinais evidentes de agressões e restrição de liberdade.

As vítimas — uma mulher trans, uma mulher cis e dois homens — estavam com as mãos amarradas e apresentavam múltiplas lesões. De acordo com a Polícia Militar, elas foram submetidas a sessões repetidas de violência e intimidação, permanecendo sob vigilância constante e ameaças contínuas. A investigação aponta que o grupo utilizava instrumentos improvisados para causar dor e impor medo, como forma de punição e controle.

Uma das vítimas foi submetida ao tratamento desumano de ter seus dentes e unhas arrancados com alicate de oficina. Outros foram chicoteados até aparecer sangue. Todos estavam amarrados.

Segundo os levantamentos iniciais, os criminosos acreditavam que as vítimas teriam presenciado um homicídio e repassado informações a grupos rivais. Essa suspeita teria motivado o sequestro e o período de violência, que ainda está sendo apurado quanto à duração exata.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi acionado imediatamente. As vítimas receberam atendimento no local e foram encaminhadas a unidades hospitalares. O estado de saúde não foi divulgado, mas a polícia informou que todas necessitavam de cuidados médicos.

Os dois suspeitos, de 20 e 37 anos, foram levados ao 13º Distrito Policial, onde foram autuados por tentativa de homicídio, organização criminosa e crime previsto na Lei de Tortura. Um deles possui antecedentes por tráfico de drogas. O outro já respondia por homicídio, resistência, porte ilegal de arma de fogo e tráfico.

No imóvel, a polícia apreendeu armas, objetos associados às agressões, celulares e uma bicicleta. Todo o material foi recolhido para perícia.

A Polícia Civil segue investigando a atuação do grupo, a motivação do crime e a possível participação de outros envolvidos.