O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (29), medidas emergenciais para enfrentar os casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas, que já resultaram em três mortes confirmadas no estado de São Paulo. Segundo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, há indícios de que o problema possa ter ultrapassado as fronteiras paulistas, exigindo uma resposta em âmbito nacional.

Ações imediatas do governo

A Secretaria Nacional do Consumidor abriu um processo administrativo para acompanhar o caso e avaliar medidas jurídicas em defesa dos consumidores. Além disso, o Ministério da Justiça e o Ministério da Saúde atuarão em conjunto para rastrear possíveis novos episódios em todo o país.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que será emitida uma nota técnica orientando profissionais de saúde sobre como identificar intoxicações por metanol, esclarecer sinais clínicos e adotar os procedimentos adequados.

Orientações aos profissionais de saúde

Padilha destacou que os profissionais devem acionar imediatamente os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) diante de suspeitas.

“À medida que o profissional de saúde identificou uma suspeita de intoxicação por metanol, faça o contato direto com o Ciatox do seu estado para ter toda orientação em relação à conduta”, afirmou.

Segundo o ministro, o número de ocorrências em São Paulo é considerado fora do padrão histórico. “Na série histórica, nós temos cerca de 20 casos por ano de intoxicação por metanol. A partir de setembro, já se notificou quase metade daquilo que se notifica ao longo do ano”, destacou.

Três mortes e risco de expansão

Dez casos de intoxicação por metanol foram oficialmente confirmados em São Paulo desde o início de setembro. A vítima mais recente foi um homem de 45 anos, que morreu em 28 de setembro, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

A Polícia Federal abriu investigação para apurar a origem das bebidas adulteradas e avaliar se houve distribuição para outros estados. As autoridades reforçam que o metanol é uma substância altamente tóxica, capaz de provocar sintomas como dor abdominal, náusea, vômito, dificuldade respiratória e até levar à morte.

O governo orienta que qualquer suspeita de adulteração seja comunicada imediatamente às autoridades competentes.