O Tribunal do Júri do Distrito Federal condenou Laryssa Yasmin Pires de Moraes a 28 anos de prisão pelo assassinato da própria filha, de apenas dois anos. O crime, considerado de extrema crueldade, ocorreu em 2020. A menina foi morta com vários golpes de faca.
A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (23) e estabelece que a pena deve ser cumprida em regime inicial fechado, com prisão imediata. Ainda cabe recurso.
De acordo com o Ministério Público do Distrito Federal, Laryssa usou de meio cruel e atacou a criança de forma que impossibilitou qualquer defesa. Após o crime, ela tentou alterar a cena para confundir a investigação, modificando a disposição de objetos e escondendo evidências.

Além do homicídio qualificado, Laryssa também foi condenada por lesão corporal contra o ex-companheiro e pai da criança, a quem feriu no rosto com uma faca. A investigação aponta que o crime foi motivado pela disputa da guarda da menina.
A sentença reforça o entendimento de que houve premeditação e dolo nas ações da acusada. O caso gerou comoção à época e voltou à tona com a conclusão do julgamento.
Como o crime aconteceu
Em depoimento à 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro) nesta quinta-feira (13/02/2020), Laryssa narrou detalhes de como executou a facadas a própria filha. Segundo a jovem, o crime ocorreu na cozinha do apartamento, de apenas três cômodos. O imóvel fica localizado na Chácara 148 da Colônia Agrícola Samambaia, em Vicente Pires.
Ela contou ter acordado por volta de 5h30 da manhã. Depois, colocou sobre a pia um colchão de berço e levou a filha até a bancada. “Tentou, primeiro, dar uma facada, mas não deu certo. A bebê começou a chorar. Foi aí que ela tentou sufocar com a mão, fechou os olhos e acertou outras duas vezes”, descreve o delegado Josué Ribeiro da Silva.
O primeiro golpe acertou a pequena Júlia Félix de Moraes, de apenas 2 anos, próximo ao pescoço, mas não chegou a perfurar a pele da menina, pois Laryssa teria usado pouca força. No entanto, na sequência, ela apunhalou a garota mais duas vezes e, dessa vez, a lâmina penetrou o tórax. Segundo as investigações, a barbárie foi praticada com uma faca de pesca, de ponta triangular.
Após tirar a vida da criança, Laryssa foi ao quarto onde o ex-companheiro e pai de Júlia dormia e tentou acertá-lo. Giuvan Félix teria acordado assustado e, na tentativa de desarmar a mulher, acabou se ferindo no rosto. Após tomar a faca de Laryssa, ele se deparou com a filha ensanguentada e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) . “Enquanto Giuvan estava no telefone, ela guardou a faca e escondeu o colchão na área de serviço, que encontramos após voltarmos à casa”, afirma o delegado.