Uma tragédia veio à tona nesta quarta-feira (5) em Fortaleza: um casal foi preso por suspeita de entregar uma bebida alcoólica adulterada com cocaína a quatro homens — dois deles morreram, dois continuam hospitalizados. A ação, segundo investigação, foi motivada por ciúmes.

Como o caso ocorreu

De acordo com a Polícia Civil do Estado do Ceará e os laudos da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), quatro homens consumiram na segunda-feira (3) uma bebida alcoólica de procedência duvidosa no bairro Pici, em Fortaleza. Um dos homens havia recebido a garrafa como presente durante o fim de semana e providenciou o consumo em um bar com outras três pessoas.

As vítimas foram socorridas para unidades hospitalares, mas não resistiram. — Foto: Isaac Macedo/ Sistema Verdes Mares (SVM)

Posteriormente, dois deles morreram e outros dois foram hospitalizados. A hipótese inicial de envenenamento por metanol foi descartada, segundo o laudo da Pefoce, que confirmou presença de cocaína e metabólitos como cocaetileno (resultado do consumo simultâneo de álcool e cocaína) no líquido e no sangue das vítimas.

Prisão dos suspeitos e motivação

Os suspeitos são um homem de 38 anos e sua companheira, de 41 anos. O homem possui antecedentes por diversos crimes, incluindo lesão corporal, furto e desacato. A investigação aponta que o crime foi motivado por uma desavença — o suspeito tinha ciúmes de sua companheira em relação a uma das vítimas.

O casal foi autuado por homicídio qualificado e tentativa de homicídio.

Infográfico — Como agir em suspeita de bebida adulterada
Serviço • Segurança do consumidor

Como agir em casos de suspeita de bebida adulterada

Procedimentos essenciais para interromper o risco, preservar evidências, acionar as autoridades e prevenir novas ocorrências. Conteúdo orientado a leitores do Ceará, com foco em Quixadá.

1) Interrompa o consumo imediatamente

Notou gosto químico, odor forte, cor turva ou espuma anormal? Pare de beber e avise os demais.

2) Preserve a embalagem e o conteúdo

Guarde garrafa, lata ou copo. Não lave, não descarte. É material-chave para análise pericial.

3) Procure atendimento médico

Vá à unidade de saúde mesmo com sintomas leves (náusea, tontura, visão turva) e informe o que foi consumido.

4) Registre boletim de ocorrência

Leve a embalagem e o laudo/sumário médico à Polícia Civil. O registro inicia a investigação.

5) Avise a Vigilância Sanitária

Comunique os órgãos municipal e estadual para inspeção do estabelecimento e coleta de amostras.

6) Evite boatos

Compartilhe apenas informações oficiais para não atrapalhar as investigações.

7) Compre em locais confiáveis

Desconfie de preços muito baixos. Verifique lacre, rótulo e validade.

8) Abra a garrafa você mesmo

Em bares e eventos, não perca de vista sua bebida. Prefira abrir pessoalmente.

9) Atenção aos sinais

Cheiro forte, sabor químico ou aparência turva são alertas. Interrompa o consumo.

Sinais que exigem atendimento imediato

Náusea intensa, vômitos, tontura, desmaio, confusão mental, visão turva, dor abdominal ou dificuldade para respirar.

Telefones úteis no Ceará

  • Polícia Militar: 190
  • SAMU: 192
  • Vigilância Sanitária/CE: 0800 275 2233

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Implicações para a segurança pública

Especialistas em segurança pública destacam que casos de adulteração de bebidas com substâncias ilícitas não são apenas uma questão de saúde, mas de crime difícil de rastrear e com alto grau de letalidade. Em outubro de 2025, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) deflagrou a operação “Dose Limpa”, em conjunto com outros órgãos, que apreendeu cerca de 200 mil litros de bebidas suspeitas de adulteração no Ceará.

Este caso em Fortaleza reforça a urgência de fiscalização mais rigorosa e de campanhas de alerta à população sobre riscos de consumir bebidas de procedência desconhecida.

Para as famílias e para a sociedade

A dor das famílias torna-se evidente. A bebida havia sido compartilhada em ocasião de lazer entre amigos, o que torna o crime ainda mais brutal. A tragédia exige não apenas punição, mas reflexão sobre os mecanismos de proteção e alerta ao consumo seguro.