Um novo objeto interestelar detectado em 1º de julho de 2024 tem chamado a atenção da comunidade científica internacional. Nomeado 3I/ATLAS, ele foi identificado pelo sistema de alerta ATLAS, no Havaí, e será o terceiro objeto do tipo já registrado em nossa vizinhança cósmica. Mas o que mais tem gerado repercussão é a hipótese levantada por cientistas de que este corpo celeste possa não ser natural — e sim, o resultado de tecnologia alienígena.

A teoria, embora ousada, foi publicada em um artigo assinado por Adam Hibberd, Adam Crowl e Abraham Loeb, este último um renomado astrofísico da Universidade de Harvard, conhecido por seu envolvimento com estudos sobre vida extraterrestre e inteligência não humana.

Trajetória “estranha demais para ser ignorada”

Segundo os pesquisadores, há uma série de características incomuns no comportamento de 3I/ATLAS. A primeira delas é a trajetória extremamente alinhada com o plano orbital dos planetas do sistema solar. Isso facilitaria aproximações e manobras de navegação — o que, para os autores, seria condizente com um objeto controlado artificialmente.

Além disso, o corpo celeste não exibe sinais típicos de cometas, como emissão de gases ou cauda visível, e possui dimensões significativamente maiores que outros objetos interestelares registrados anteriormente. Outro detalhe que chamou atenção é a precisão com que ele se aproxima de três planetas: Vênus, Marte e Júpiter. A probabilidade de tal alinhamento ocorrer por acaso, segundo os cálculos do artigo, seria inferior a 0,005%.

Possível manobra de desaceleração próxima ao Sol

Outro ponto levantado pelos cientistas envolve a chamada “manobra de Oberth invertida” — uma técnica de propulsão que aproveita a gravidade e velocidade ao redor de estrelas para alterar drasticamente a trajetória de uma nave. Coincidentemente ou não, o objeto passará por seu ponto mais próximo do Sol (periélio) no dia 29 de outubro de 2024 — justamente durante o período em que ficará oculto aos telescópios terrestres por causa do brilho solar. Segundo os autores, isso poderia esconder uma mudança brusca de trajetória ou outra atividade fora do comum.

Encontro com a Terra não está descartado

O estudo simula inclusive a possibilidade de o objeto desacelerar e entrar em órbita em torno do Sol ou até de Júpiter, utilizando alguma forma de propulsão constante, como uma vela solar. E mais: se essa for de fato sua intenção, um possível sobrevoo pela Terra ocorreria entre 21 de novembro e 5 de dezembro de 2025.

Apesar disso, os próprios autores do artigo alertam para o caráter especulativo da hipótese. A explicação mais provável ainda é natural — um cometa ou asteroide vindo de outra estrela, como aconteceu com ‘Oumuamua em 2017 e o 2I/Borisov em 2019.

Uma oportunidade rara para a ciência

Com apenas três objetos interestelares já identificados na história da astronomia, qualquer novo registro traz oportunidades valiosas para a pesquisa científica. Natural ou não, 3I/ATLAS está sendo monitorado de perto por telescópios ao redor do mundo.

A hipótese de origem artificial, por mais improvável que seja, não é descartada de imediato. Como afirmou Abraham Loeb em outras ocasiões, a ciência deve manter a mente aberta, mas os pés no chão: “Uma civilização que ignora sinais incomuns por medo de parecer ingênua pode acabar deixando passar as maiores descobertas de sua história”.

Enquanto o mistério não é resolvido, o objeto segue sua trajetória silenciosa, despertando a imaginação — e o rigor analítico — dos cientistas da Terra.