O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, voltou a causar polêmica neste domingo (2) ao usar uma live para atacar diretamente a Polícia Federal. Falando dos Estados Unidos, onde está desde fevereiro, o parlamentar chamou agentes da corporação de “cachorrinhos” e fez ameaças ao delegado Fábio Alvarez Shor, responsável por investigações que envolvem seu pai.

“Cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo, deixa eu saber não. Se eu ficar sabendo quem é você… ah, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal delegado Fábio Alvarez Shor se ele conhece a gente…”, declarou Eduardo, em tom que provocou imediata reação da cúpula da PF.

A fala foi duramente criticada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em nota enviada à imprensa, Rodrigues classificou a atitude como “covarde tentativa de intimidação aos servidores policiais” e garantiu que a corporação adotará as providências legais cabíveis. “Nenhum investigado intimidará a Polícia Federal”, afirmou.

Fábio Shor atua em inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) e investigam Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, além da suposta fraude nos cartões de vacina durante a pandemia de Covid-19.

A live também foi marcada por declarações contra o Supremo Tribunal Federal. Eduardo Bolsonaro afirmou que trabalhará para retirar o ministro Alexandre de Moraes do Judiciário, mantendo o tom de confronto que tem adotado desde que passou a ser alvo de investigações no Brasil.

Licença vencida e investigação em andamento

A transmissão ocorreu no mesmo dia em que venceu o prazo da licença que o deputado havia solicitado à Câmara dos Deputados. A partir de agora, suas ausências passam a ser contabilizadas como faltas caso não sejam justificadas. Eduardo está nos Estados Unidos desde fevereiro e, em março, anunciou publicamente que tiraria uma licença não remunerada.

Ele é alvo de uma investigação aberta pela Procuradoria-Geral da República (PGR) que apura suposta obstrução de Justiça, coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A apuração considera que Eduardo Bolsonaro pode ter atuado internacionalmente para influenciar processos judiciais em curso no Brasil, especialmente aqueles que envolvem seu pai e outras autoridades brasileiras.

A Polícia Federal já havia aberto, no início do ano, um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra o deputado, que é escrivão licenciado da corporação. A medida foi motivada por declarações anteriores também direcionadas ao delegado Fábio Shor.

A nova ofensiva verbal de Eduardo, em meio ao agravamento do cerco judicial ao bolsonarismo, reacende o debate sobre os limites da imunidade parlamentar e o uso de prerrogativas do cargo para ataques institucionais.