© José Cruz/Agência Brasil

Os planos de saúde deverão cobrir a mamografia digital para pessoas de qualquer idade a partir de 1º de outubro, desde que o exame seja prescrito pelo médico responsável. A mudança foi anunciada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) nesta quinta-feira (10).

Atualmente, a cobertura obrigatória dessa modalidade está restrita às mulheres com idade entre 40 e 69 anos. Com a nova regra, a faixa etária deixará de ser utilizada como condição para que o procedimento seja custeado pelas operadoras.

A decisão foi tomada em 3 de setembro, durante a 10ª Reunião Extraordinária da Diretoria Colegiada da ANS. O órgão retirou a Diretriz de Utilização que limitava o acesso à mamografia digital.

A cobertura poderá ser solicitada para rastreamento, investigação de possíveis alterações, diagnóstico ou acompanhamento do tratamento do câncer de mama. A necessidade do exame será definida a partir da avaliação clínica e da prescrição do profissional de saúde.

Exame continuará dependendo de indicação médica

O fim do limite de idade não significa que todos os beneficiários deverão realizar mamografias periodicamente. A operadora estará obrigada a cobrir o procedimento quando houver uma solicitação médica fundamentada.

Na prática, mulheres com menos de 40 anos ou mais de 69, homens e pessoas de outras identidades de gênero também poderão ter acesso à mamografia digital pelo plano, caso o médico considere o exame necessário.

A alteração da cobertura também não modifica automaticamente as recomendações de rastreamento populacional. A periodicidade e a idade indicada para exames preventivos devem considerar fatores como histórico familiar, sintomas, densidade mamária, condições clínicas e risco individual.

O que muda em relação ao exame convencional

Na mamografia convencional, as imagens são registradas em filme radiográfico. Na modalidade digital, elas são armazenadas eletronicamente e podem ser ampliadas, ajustadas e analisadas em equipamentos específicos.

Esse formato facilita o compartilhamento dos registros entre profissionais, a comparação com exames anteriores e o acompanhamento da evolução clínica. As duas modalidades, porém, utilizam raios X e exigem a compressão da mama durante a obtenção das imagens.

A mamografia é um dos principais métodos para detectar alterações mamárias antes que elas possam ser percebidas por meio do toque. Quando o câncer é identificado em estágios iniciais, geralmente existem mais possibilidades de tratamento e menor probabilidade de procedimentos mais agressivos.

Brasil deve registrar 78,6 mil casos por ano

O câncer de mama é o tipo mais frequente entre as mulheres brasileiras, depois dos tumores de pele não melanoma. Para o período de 2026 a 2028, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima aproximadamente 78,6 mil novos casos da doença por ano no país.

O número atualiza a estimativa anterior de 73.610 casos anuais, válida para o triênio de 2023 a 2025.

Embora seja muito mais frequente em mulheres, o câncer de mama também pode atingir homens. Alterações como nódulos endurecidos, mudanças no formato ou na pele da mama, retração do mamilo e saída espontânea de secreção devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Como agir em caso de negativa

A partir da entrada em vigor da nova regra, o beneficiário que tiver o exame prescrito deverá procurar a operadora para obter informações sobre a rede credenciada e o procedimento de autorização.

Caso o plano negue a cobertura, o consumidor deve solicitar a justificativa por escrito e guardar o número do protocolo de atendimento. A reclamação poderá ser registrada nos canais da ANS, inclusive pelo telefone 0800 701 9656 ou pelo atendimento eletrônico disponibilizado pela agência.