O Ministério Público do Ceará apresentou denúncia contra nove pessoas investigadas na Operação Jogo Sujo, deflagrada pela Polícia Civil no dia 5 de fevereiro de 2026 em Quixeramobim, no Sertão Central do estado.

Seis dos denunciados permanecem presos preventivamente. De acordo com o promotor de Justiça Dr. Bruno Barreto, responsável pela Promotoria Criminal de Quixeramobim, todos responderão inicialmente por oito crimes de extorsão, além de associação criminosa armada e exploração ilegal de jogos de azar.

A denúncia foi protocolada nesta quarta-feira (11) e marca o início da ação penal na Justiça.

Dr. Bruno Barreto, responsável pela Promotoria Criminal de Quixeramobim, tem focado no combate a atuação de facções criminosas e outros grupos criminosos organizados.

“Apresentamos a denúncia formal em face de nove pessoas. Seis permanecem presas. Todos vão responder, por enquanto, por oito crimes de extorsão, associação criminosa armada e exploração de jogos de azar. As investigações vão continuar para apurar possível vínculo com o PCC e também suspeita de lavagem de dinheiro”, afirmou o promotor Bruno Barreto em declaração enviada ao Diário de Quixadá.

Operação Jogo Sujo revelou esquema no Sertão Central

A denúncia tem como base elementos reunidos durante a Operação Jogo Sujo, realizada pela Polícia Civil do Ceará em fevereiro deste ano. A investigação foi conduzida pela Delegacia de Polícia Civil de Quixeramobim, sob responsabilidade do delegado Dr. William Lopes.

Parte do material apreendido durante a operação Jogo Sujo, deflagrada em Quixeramobim em fevereiro deste ano.

Durante a operação, foram cumpridos mandados que resultaram na prisão preventiva de seis suspeitos. As equipes também apreenderam veículos de luxo, armas de fogo, munições, dinheiro em espécie e diversos objetos considerados relevantes para a investigação.

Segundo o Ministério Público, parte desse material ainda está sendo analisada, o que pode levar ao aprofundamento das investigações.

Esquema envolvia apostas ilegais e extorsão de comerciantes

De acordo com a denúncia apresentada à Justiça, o grupo investigado atuava em um esquema relacionado à exploração ilegal de jogos de azar, incluindo atividades semelhantes ao jogo do bicho.

Com o avanço das investigações, surgiram indícios de que integrantes da organização também estariam praticando extorsão contra comerciantes, cambistas e operadores de apostas da região.

Segundo o Ministério Público, as vítimas eram constrangidas mediante ameaças graves para que passassem a operar exclusivamente em favor das plataformas ligadas ao grupo investigado.

Crimes teriam ocorrido em 2025

A denúncia aponta que, entre os meses de julho e agosto de 2025, os investigados teriam realizado diversas abordagens em estabelecimentos comerciais de Quixeramobim.

Nessas ocasiões, de acordo com o Ministério Público, os suspeitos teriam intimidado operadores locais de apostas e cambistas, exigindo que trabalhassem apenas para as plataformas controladas pelo grupo.

A acusação sustenta que as ações tinham como objetivo garantir vantagem econômica para a organização e ampliar o controle do esquema de apostas na região.

Organização teria divisão em três núcleos

A investigação também aponta que o grupo possuía uma estrutura organizada, com divisão de tarefas entre os integrantes.

Segundo a denúncia, o esquema era dividido em três núcleos principais.

O núcleo de comando seria formado pelos responsáveis pelas plataformas de apostas envolvidas no esquema. O núcleo gerencial teria a função de coordenar as atividades em diferentes áreas da região.

Já o núcleo de execução seria responsável por realizar as cobranças, ameaças e ações de intimidação contra comerciantes e operadores locais.

Reuniões teriam definido estratégias de atuação

De acordo com o Ministério Público, integrantes do grupo teriam realizado reuniões para planejar a expansão das plataformas de apostas ilegais na região.

Um desses encontros teria ocorrido pelo menos desde julho de 2025 e teria servido para definir estratégias de atuação do grupo.

Segundo a denúncia, nessas reuniões também teriam sido estabelecidos métodos para pressionar comerciantes e operadores locais, incluindo cobranças, ameaças e outras formas de coação para obrigar a adesão ao esquema.

Investigação continua

Apesar da denúncia apresentada agora à Justiça, o Ministério Público afirma que as investigações continuam em andamento.

A análise do material apreendido durante a operação ainda está sendo realizada e pode revelar novos elementos sobre o funcionamento do grupo.

As autoridades também investigam se a organização mantinha vínculos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital, conhecida como PCC, além da possível existência de um esquema de lavagem de dinheiro associado às atividades ilegais.