Advogados, defensores públicos e juízes dos Estados Unidos já classificaram o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn como uma das prisões mais degradadas do país, marcada por superlotação, violência e falhas estruturais graves.
O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está detido no Centro de Detenção Metropolitano (MDC, na sigla em inglês), no Brooklyn, em Nova York, unidade carcerária que há anos acumula denúncias de condições consideradas desumanas por autoridades, advogados e magistrados norte-americanos.

Maduro foi capturado em Caracas no dia 3 de janeiro, em uma operação conduzida por forças dos Estados Unidos, e transferido inicialmente para o navio USS Iwo Jima. Em seguida, passou pela Base Naval de Guantánamo, em Cuba, antes de ser levado a Nova York. Após chegar ao país, ele passou pela sede da Drug Enforcement Administration e foi encaminhado ao MDC, onde permanece preso enquanto responde a acusações de tráfico de drogas e narcoterrorismo apresentadas pela Justiça dos Estados Unidos.
Em um dos primeiros vídeos divulgados após sua chegada a Nova York, Maduro aparece algemado, escoltado por agentes antidrogas, vestindo casaco esportivo, gorro e sandálias com meias, e faz comentários em inglês e espanhol sobre o Ano-Novo. Sua esposa, Cilia Flores, também está detida na mesma unidade prisional.
Uma prisão vertical no coração do Brooklyn
O MDC é um edifício de concreto e aço com vários andares, localizado no bairro do Brooklyn, próximo ao porto de Nova York e a cerca de cinco quilômetros de pontos turísticos como a Quinta Avenida e o Central Park. A unidade foi inaugurada no início da década de 1990 com o objetivo de aliviar a superlotação do sistema prisional da cidade, ocupando uma área que antes funcionava como centro logístico do terminal marítimo.

Projetada para abrigar cerca de 1.000 detentos, a prisão chegou a receber aproximadamente 1.600 presos em 2019. Atualmente, segundo dados do Bureau of Prisons (BOP), o local abriga mais de 1.300 detentos.
Superlotação, violência e falta de pessoal
Problemas comuns em prisões da América Latina, como superlotação, insalubridade e episódios frequentes de violência, também são recorrentes no MDC do Brooklyn. Relatórios judiciais e matérias da imprensa norte-americana apontam que, nos últimos anos, a unidade operou com pouco mais da metade do efetivo de funcionários necessário.
De acordo com a Associated Press, em novembro de 2024 a prisão funcionava com cerca de 55% do quadro de servidores, situação que contribuiu para brigas, agressões entre detentos e dificuldades no controle interno da unidade.
As condições físicas do prédio também são alvo de críticas. Em 2019, uma falha elétrica deixou presos sem aquecimento durante vários dias do inverno, episódio que gerou protestos e ações judiciais.
“Inferno na Terra”
As críticas mais duras partiram de autoridades e advogados que atuam no sistema judicial de Nova York. A procuradora-geral do estado, Letitia James, já classificou as condições do MDC como “inaceitáveis e desumanas”, afirmando que a privação de liberdade não pode significar a negação de direitos humanos básicos.

Advogados de defesa também descrevem a prisão como uma representação viva do “inferno na Terra”. Segundo a CNN, um detento identificado como Uriel Whyte morreu esfaqueado por outros presos em junho de 2024. Ex-dirigentes da Defensoria Pública Federal de Nova York relataram problemas que vão da falta de atendimento médico a falhas graves de saneamento, presença de vermes na alimentação e episódios constantes de violência.
Entre 2021 e 2024, ao menos quatro suicídios foram registrados na unidade, segundo dados judiciais.
Reação do Judiciário e escândalos
O estado da penitenciária também gerou reações no Judiciário. Alguns juízes passaram a evitar o envio de condenados ao MDC. Em agosto de 2024, o juiz distrital Gary Brown afirmou que substituiria uma pena de prisão por prisão domiciliar caso um réu idoso fosse encaminhado para a unidade, citando o ambiente de “anarquia” e a falta de supervisão adequada.
Além das denúncias sobre as condições físicas e humanas, o MDC também esteve no centro de escândalos de corrupção. Em março de 2025, o Department of Justice anunciou o indiciamento de 25 pessoas, entre detentos e ex-funcionários do sistema penitenciário, em casos envolvendo violência e contrabando dentro da prisão.
É nesse contexto que Nicolás Maduro permanece detido, aguardando o andamento dos processos judiciais que enfrenta nos Estados Unidos.