O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, instruiu a CIA e o Pentágono a adotarem medidas mais agressivas contra o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela, segundo reportagem publicada pelo Wall Street Journal. A orientação, de acordo com o jornal, integra uma estratégia mais ampla de pressão conduzida pelo secretário de Estado, Marco Rubio, com o objetivo de enfraquecer o regime venezuelano e incentivar a saída de Maduro do poder.
Operações e objetivos
A apuração indica que o plano teria começado como uma operação voltada ao combate ao narcotráfico, mas foi expandido para incluir sanções econômicas, ações de inteligência e demonstrações militares nas proximidades do território venezuelano. Fontes do governo ouvidas pelo Wall Street Journal afirmaram que, embora a justificativa oficial seja conter o tráfico de drogas, o objetivo final é convencer Maduro de que “não há mais condições para permanecer no poder”.

Nos últimos meses, os Estados Unidos intensificaram operações no Caribe, incluindo ataques a alvos suspeitos de tráfico e voos de bombardeiros B-52, capazes de transportar armamento nuclear, próximos à costa da Venezuela. O Pentágono também deslocou navios de guerra, caças F-35B, aviões de vigilância P-8 Poseidon, drones MQ-9 Reaper e tropas de elite para a região.
Coordenação política
O jornal aponta que Marco Rubio — ex-senador pela Flórida e filho de imigrantes cubanos — tornou-se o principal articulador da política americana para a Venezuela. Ele atua em conjunto com a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, a procuradora-geral Pamela Bondi e o vice-chefe de gabinete Stephen Miller.
Em resposta ao Wall Street Journal, o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, declarou que “o presidente é quem define a política externa dos Estados Unidos” e que cabe ao gabinete “implementá-la”.
“Vitória política” e recompensa
Segundo o Wall Street Journal, Trump enxerga a escalada contra Maduro como uma vitória política dupla: reforçar o discurso de combate ao narcotráfico e fortalecer sua imagem de liderança contra governos de orientação socialista no continente.

O governo americano também acredita que a queda de Maduro poderia abrir novas oportunidades econômicas relacionadas às reservas de petróleo e minerais da Venezuela.
Em agosto, a procuradora-geral Pamela Bondi anunciou o aumento da recompensa pela captura de Nicolás Maduro, passando de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões. Em comunicado, ela classificou o presidente venezuelano como “narco-terrorista” e “fugitivo da justiça americana”, afirmando que “seu reinado não durará para sempre”.