O ataque armado ocorrido no dia 25 de setembro na Escola Estadual Luiz Felipe, em Sobral, teve como motivação a rivalidade entre facções criminosas, aponta inquérito policial ao qual o g1 teve acesso. Dois adolescentes morreram e três ficaram feridos após criminosos dispararem contra estudantes que estavam no pátio da escola.

Um dos suspeitos, Bruno Amorim Rodrigues, preso pela polícia, foi identificado como integrante de grupo rival ao de Victor Guilherme Sousa de Aguiar (VG), uma das vítimas fatais. O documento detalha que Bruno havia sido “decretado” pelo Comando Vermelho (CV) a abandonar o PCC, passando a ser jurado de morte.

Drogas na escola

O inquérito aponta que Victor, de 16 anos, tinha envolvimento com o Comando Vermelho e seria fornecedor de drogas dentro da escola. No entanto, ainda não é possível afirmar se ele já era “batizado” (reconhecido pelos chefes da facção como membro) ou apenas era próximo de criminosos. Com ele, a polícia encontrou uma mochila com entorpecentes e uma balança de precisão. A segunda vítima, Luis Claudio Sousa Oliveira Filho, de 17 anos, também estaria ligada ao comércio de drogas no colégio, segundo depoimentos colhidos.

A investigação mostra ainda que, no momento do ataque, parte dos estudantes baleados consumia drogas no pátio da escola.

Dinâmica do crime

Imagens de câmeras de segurança registraram quando dois homens chegaram de motocicleta, por volta de 9h30, e atiraram pela grade lateral que separa o pátio da rua. Nas imagens, é possível ver estudantes correndo para escapar dos disparos. A motocicleta usada havia sido roubada sete dias antes e estava adulterada.

Bruno negou envolvimento, alegando estar em casa no momento do crime, mas foi encontrado pela polícia escondido na casa de uma vizinha após tentar fugir. O segundo suspeito segue foragido.

Repercussão e resposta

O ataque chocou Sobral, cidade conhecida pelos resultados positivos na educação. O governador Elmano de Freitas anunciou gabinete extraordinário da Segurança Pública no município e prometeu reforço no policiamento. “Vamos aumentar a presença policial e dar uma resposta firme à sociedade”, declarou.

O secretário da Segurança Pública, Roberto Sá, classificou o crime como execução premeditada e destacou a ligação entre tráfico de drogas, armas e a violência que atinge o país.

A escola permanece com aulas suspensas e informou que o retorno ocorrerá de forma gradual, em diálogo com a comunidade escolar.