O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (22) que o uso do Tylenol na gravidez e a vacinação em bebês estariam ligados ao desenvolvimento do autismo. As declarações foram feitas em coletiva de imprensa ao lado do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e do comissário da FDA, Marty Makary, mas não foram acompanhadas de provas científicas.

Trump disse que o órgão regulador de medicamentos do país orientaria médicos a limitar o uso de paracetamol durante a gestação. Ele também voltou a criticar o calendário vacinal infantil, alegando que bebês seriam “carregados” com até 80 vacinas, associando a prática ao autismo.

Posição da FDA

A FDA confirmou que irá revisar a bula do paracetamol para destacar riscos potenciais, mas ressaltou que a relação causal entre o uso do medicamento e o transtorno do espectro autista não foi comprovada. A agência destacou ainda que o paracetamol é a única opção de venda livre recomendada para febres em grávidas e que não tratar a febre pode trazer riscos graves ao feto.

Reações de especialistas

Pesquisadores reagiram às falas de Trump. David Mandell, da Universidade da Pensilvânia, afirmou não haver evidência de ligação entre paracetamol e autismo. Um estudo publicado em 2024 pelo Journal of the American Medical Association analisou 2,4 milhões de crianças na Suécia e não encontrou relação entre o medicamento e o transtorno.

Médicos também alertam que febres não tratadas na gravidez podem levar a complicações sérias, como defeitos no tubo neural do bebê.

Histórico de polêmicas

As falas de Trump e de Robert Kennedy Jr. encontram eco em grupos antivacinas e em organizações como o Children’s Health Defense. Em abril, Kennedy já havia prometido uma força-tarefa mundial para investigar supostas causas do autismo, iniciativa vista por cientistas como precipitada.

Em 2023, centenas de ações judiciais que tentavam responsabilizar o Tylenol pelo autismo foram rejeitadas por um juiz federal por falta de evidências.

Rebate da fabricante

A Kenvue, fabricante do Tylenol, divulgou nota durante a coletiva, reforçando que “a ciência sólida mostra claramente que tomar paracetamol não causa autismo”.