
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, publicou em suas redes sociais um vídeo que reacendeu debates sobre direitos civis e a influência religiosa na política norte-americana. O material mostra pastores ligados à Comunhão das Igrejas Evangélicas Reformadas (CREC) defendendo que mulheres não deveriam ter direito ao voto.
A divulgação ocorreu na última quinta-feira (7) e incluiu falas do teólogo conservador Doug Wilson, figura influente no movimento evangélico reformado, e do pastor Toby Sumpter.
Conteúdo do vídeo
No vídeo, Sumpter declara considerar ideal o chamado “voto familiar”, conduzido exclusivamente pelo homem provedor:
“Normalmente, eu seria o único a votar, mas votaria depois de discutir o assunto com minha família”, afirmou.
Uma integrante do grupo reforça essa visão, dizendo ser submissa ao marido e concordar que ele seja o responsável pelo voto da família.
Doug Wilson, cofundador da CREC, também aparece afirmando que não permite a presença de mulheres em funções de liderança em sua igreja, justificando-se por meio de interpretação bíblica.
Histórico e polêmicas
Doug Wilson é uma figura marcada por controvérsias. Ele já teve participações canceladas em eventos no Brasil, como a conferência Consciência Cristã de 2024, após críticas por declarações polêmicas, incluindo defesa da escravidão em um de seus livros e acusações de acobertar casos de violência sexual e doméstica em sua congregação.
A postagem de Hegseth no X (antigo Twitter) veio acompanhada da frase: “Tudo de Cristo para toda a vida”. Segundo um porta-voz do Pentágono, o secretário “é um membro orgulhoso de uma igreja afiliada ao CREC” e “aprecia muito” os escritos de Wilson. Hegseth já participou, junto à família, da inauguração de uma igreja liderada pelo teólogo em Washington.
Reações
O vídeo gerou reação de organizações evangélicas progressistas. Doug Pagitt, pastor e diretor do grupo Vote Common Good, declarou à Associated Press que as ideias representam “pequenos grupos de cristãos” e classificou como “muito perturbador” o fato de um membro do alto escalão do governo amplificá-las.
A manifestação ocorre em um momento em que o governo Trump reforça sua agenda de nacionalismo cristão. Logo no início do mandato, foi criado um “gabinete da fé” para investigar suposto “preconceito anticristão” em órgãos federais.
Visão expansionista
Durante a entrevista à CNN, Doug Wilson reafirmou sua meta de expansão global da fé que professa:
“Gostaria de ver a nação ser uma nação cristã e gostaria de ver o mundo ser um mundo cristão”, disse.