
O Ministério Público do Estado do Ceará obteve a condenação de Erivânio de Lima Castro, conhecido como “Cabeça”, e Macksuel Barros Jucá, o “Capetinha”, pelo homicídio com três qualificadoras de Kellma Ludymilla Silva de Oliveira, ocorrido em 16 de abril de 2022, no município de Choró, Sertão Central do Ceará. Ambos foram sentenciados a 30 anos de prisão em regime fechado após julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Quixadá.
Ministério Público apontou motivação fútil e execução premeditada
De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público, o crime foi motivado por razões fúteis, executado com extrema crueldade e mediante recurso que dificultou qualquer chance de defesa da vítima. A investigação apontou que Kellma foi assassinada em decorrência de sua ligação familiar com um rival dos acusados.
O Ministério Público do Ceará sustentou que Erivânio e Macksuel foram os autores intelectuais do homicídio, tendo planejado a ação com antecedência e atribuído tarefas específicas a outros envolvidos, como vigilância, atração da vítima e execução.
Execução ocorreu em campo de futebol durante jogo
Conforme a denúncia, o assassinato ocorreu em plena luz do dia, por volta das 11h40min, no Campo do FOM, onde ocorria uma partida de futebol que reunia cerca de cem pessoas. Kellma acompanhava o evento com amigos quando, segundo o MP-CE, foi chamada ao portão por Antônia Gelma Negreiros de Lima, uma das denunciadas.
Ao se aproximar da entrada, a jovem foi surpreendida por dois homens armados, que efetuaram onze disparos de arma de fogo. Segundo o laudo pericial, os tiros foram direcionados exclusivamente contra Kellma, que chegou a ser socorrida, mas morreu logo após dar entrada no hospital.
Ameaça anterior e divisão de funções
A Promotoria informou que, dias antes do crime, a vítima recebeu uma ameaça direta de Erivânio, indicando que sua vida estava em risco. A jovem chegou a comentar com pessoas próximas que havia sido “jurada” e demonstrava medo crescente.
Sentença impôs 30 anos de prisão a cada mandante
A sentença foi proferida pelo juiz Welithon Alves de Mesquita, da 1ª Vara Criminal de Quixadá, nesta segunda-feira (14). Cada réu recebeu pena de 30 anos de reclusão em regime fechado, sem possibilidade de substituição por penas alternativas. Para Erivânio, foi abatido o tempo de prisão preventiva já cumprido, restando-lhe ainda 27 anos, 1 mês e 3 dias de pena.
O magistrado destacou a frieza da execução, a exposição da vítima em local público e a ausência de qualquer justificativa razoável para o homicídio. “A conduta dos acusados revela extremo desprezo pela vida humana e impactou fortemente a comunidade local”, afirmou o juiz na decisão.
Outros réus ainda serão julgados
Os demais acusados seguem respondendo ao processo em diferentes estágios. Segundo o Ministério Público, as investigações continuam.